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03 de abril de 2019, 17h55

Prefeito de Curitiba censura peça crítica a Bolsonaro e grupo encena ao ar livre

Apoiador do governo, o prefeito Rafael Greca (DEM) proibiu a encenação no Memorial de Curitiba, um dos equipamentos municipais que abrigam sessões do festival da cidade

Foto: Divulgação

Por Manoel Ramires, do Brasil de Fato

A poucos dias de reestrear no Festival de Curitiba, o premiado espetáculo “A Mulher Monstro”, da trupe Sem Cia. de Teatro, foi censurado pela prefeitura de Curitiba (PR). O pretexto da perseguição é político: a peça se baseia em declarações polêmicas de personalidades como o presidente Jair Bolsonaro (PSL). Apoiador do governo direitista, o prefeito Rafael Greca (DEM) proibiu a encenação no Memorial de Curitiba, um dos equipamentos municipais que abrigam sessões do festival, no Centro Histórico.

A peça já foi exibida na própria cidade, há dois anos, durante o Festival de Curitiba de 2017. Na ocasião, todas as sessões estavam lotadas – o que ajudou a promover o espetáculo. Desde então, a peça recebeu aclamação por onde passou: 12 cidades brasileiras, de sete estados, em três regiões do País, totalizando 62 sessões e 7 mil espectadores.

Mesmo sob perseguição e com prejuízos diante do veto autoritário – e mesmo sofrendo ameaças nas redes sociais –, a Sem Cia. de Teatro não se curvou. A trupe nordestina, fundada em 2012 em Natal (RN) e sediada também no Recife (PE), decidiu se apresentar em local aberto, num protesto em defesa da arte, da liberdade e da democracia. “Como resistência, a apresentação teatral será no formato de rua e com livre acesso ao público”, informou o grupo, em nota.

Agora, quem está em Curitiba terá quatro oportunidades de ver “A Mulher Monstro” – nas noites de quinta-feira (4) a domingo (7), sempre às 19 horas, nas Ruínas de São Francisco (Praça João Cândido). A peça é dirigida e protagonizada por José Neto Barbosa.

Colagem

“A Mulher Monstro” é uma colagem de declarações lamentáveis, polêmicas e verídicas e foi livremente inspirada no conto “Creme de Alface”, de Caio Fernando Abreu, escrito em 1975 sob ditatura militar, mas só lançado em 1994. Para a construção do texto, a Sem Cia. de Teatro também buscou opiniões nas redes sociais e nas ruas, além de observar a postura de políticos e figuras públicas, como Bolsonaro e seus aliados. A estreia ocorreu em julho de 2016.

Há, na trama, uma contundente denúncia às mais variadas faces da intolerância, como xenofobia, racismo, sexismo, gordofobia, homolesbotransfobia e machismo. “A tragicomédia fala do desrespeito para além do preconceito”, resume a trupe. No enredo, uma mulher burguesa, falsa cristã, é perseguida pela própria visão intolerante da sociedade, a ponto de não saber lidar com a solidão e suas relações num tempo de ódio, golpes e corrupções vistos sem vergonha. A personagem foi inspirada na figura da Mulher Konga, presente em parques e circos nordestinos.

Em 2017, a Academia de Artes no Teatro do Brasil concedeu a José Neto Barbosa o Prêmio Cenym de Melhor Monólogo do Teatro Nacional por sua interpretação na peça. Mesmo sem grandes patrocínios, “A Mulher Monstro” participou de 14 eventos culturais, como festivais e mostras – tanto nacionais quanto internacionais.

Serviço

“A MULHER MONSTRO” (RN/PE)
Local: Ruínas de São Francisco
Data: 4 a 7 de abril | Quinta a domingo, às 19h
Aberto ao público. Entrada gratuita.
Página do evento: A Mulher Monstro em Curitiba

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