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29 de julho de 2019, 15h59

Ritchie, de “Menina Veneno” a Paul Simon e Cat Stevens

Ao lado do trio Black Tie, o cantor inglês radicado no Brasil mergulha no repertório de Paul Simon e Cat Stevens em dois álbuns impecáveis

Foto: Reprodução Rede Globo

O cantor e compositor britânico radicado no Brasil, Ritchie, deu um salto inusitado na sua carreira e foi, do sucesso retumbante de “Transas” e “Menina Veneno”, na década de 80, para os impecáveis repertórios do americano Paul Simon, em 2016, e do do inglês Cat Stevens, em 2019.

Para a empreitada, contou com a parceria de um trio intitulado Black Tie, que tem como participantes nada mais nada menos do que Fabio Tagliaferri, diretor musical, idealizador e arranjador do projeto, que toca viola de arco e ukelele; Mario Manga (violoncelo e violão de aço) e Swami Jr. (u-bass e violão de sete cordas).

O projeto já rendeu, como dito acima, dois álbuns. “Old Friends: The Songs of Paul Simon”, de 2016 e “Wild Word: The Songs of Cat Stevens”. Tanto num caso como no outro, Ritchie se ateve ao repertório primeiro dos compositores.

Paul Simon aparece com as canções dos tempos em que fazia a dupla com Art Garfunkel. São obras maravilhosas, pra dizer o mínimo, como “The Only Living Boy in New York”, “The Boxer”, “América”, “The Sound of Silence” entre outras.

Este ano foi lançado o álbum com o repertório de Cat Stevens, com canções de bem antes de se converter ao islamismo e virar Yusuf Islam. Assim como no caso anterior, trata-se de um cancioneiro impecável que, assim como Simon, ao lado de Lennon & McCartney e Bob Dylan, formam o que há de melhor da canção pop de todos os tempos.

Além de acertar no repertório e se dizer muito feliz por poder cantar em sua língua natal, Ritchie acerta também na interpretação. Que ele é um grande cantor pop não restavam dúvidas. O repertório escolhido, no entanto, exige certas sutilezas que ele preenche com louvor. É extremamente afinado e, além disso, consegue a delicadeza e interpretação suficientes pra chegar à alma das canções.

Se o cantor faz bonito, não há como dizer menos do trio Black Tie. Músicos excelentes invariavelmente esnobam este tipo de repertório, normalmente estruturado em poucos acordes naturais e melodias de grande influência medieval e barroca. Ao contrário disto, o Black Tie impregnou as melodias com grande devoção, criatividade e respeito.

Há que se lembrar também que tanto Simon & Garfunkel quanto Cat Stevens são excelentes cantores e as gravações originais dessas obras são excelentes e antológicas. Estão na memória afetiva de todos e as comparações se tornam inevitáveis.

Ritchie e Black Tie, no entanto, ao mesmo tempo em que fizeram versões com grande referência nos originais, conseguiram adaptações para um formato menor com maestria. Composições que em outros tempos apareciam com grandes orquestras, banda e vários instrumentos são revistas em formato mais econômico, mas ao mesmo tempo com todas as frases, contrapontos e até mesmo aberturas de vozes dos originais.

Muito mais do que uma volta ao passado, esses dois álbuns de Ritchie e Black Tie nos retomam o caminho do futuro.


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