Toninho Horta e seu “Belo Horizonte”, vencedor do Grammy Latino de 2020

O guitarrista, cantor e compositor acaba de vencer o prêmio com um lindo álbum onde comemora seus 50 anos de carreira

O cantor e compositor Toninho Horta, o guitarrista do Clube da Esquina, venceu o Prêmio Grammy Latino deste ano com o álbum “Belo Horizonte”, feito para comemorar seus 50 anos de carreira.

Se Milton Nascimento tem o “Minas” e o “Geraes”, Toninho acaba de fazer seu “Belo” e “Horizonte”, assim mesmo, separados em dois em um mesmo álbum duplo.

No primeiro, o “Belo”, aparecem canções já gravadas e consagradas do autor, como “Céu de Brasília”, “Beijos Partido”, “Durango Kid”, “Aqui, ó” entre outras. No lado “Horizonte”, a se desdobrar em novidades, como o nome sugere, composições atuais, como “Samba Sagrado”, “Villekilde Friends”, “Belo Horizonte”, “Ilha Terceira”, “Paris”, “Magical Trumpets”, “Dieb”, “Nanando” e “O Poder de Um Olhar”.

Nos dois lados, quem acompanha o autor é a Orquestra Fantasma, formada pela flautista Lena Horta, irmã do guitarrista, o baixista Yuri Popoff, Esdra “Neném” Ferreira na bateria e André Dequech, que assinou a produção de “Belo Horizonte” ao lado de Popoff e de Toninho.

Toninho Horta se disse extremamente feliz coma premiação e não é para menos. Seu álbum disputou com nomes como Caetano Veloso & Ivan Sacerdote, Elza Soares, Ney Matogrosso e Zeca Baleiro. O fato de ter superado esses medalhões é o de menos. O grande mérito foi ter feito isso com um álbum quase de jazz, onde a intenção instrumental, o apuro técnico e o apoio dos músicos reinam sobre o todo.

O grupo pequeno e extremamente afinado entre si dá um sabor a mais ao disco. O próprio Toninho confessa que não o teria feito não fossem os músicos com as suas participações parceiras.

Mas não pense o ouvinte que se trata de um álbum para iniciados, onde chovem notas para todos os lados. “Belo Horizonte” é lindo e todo o tempo reverente ao ouvinte.  As canções ganharam roupagens mais claras, definidas e os temas instrumentais são cheios de beleza e desenvoltura.

Apesar do próprio Toninho considera-lo um álbum sofisticado, o que realmente é, o disco soa fácil, bom de ouvir. Os improvisos dos músicos são melódicos, feitos sob encomenda para as canções, coisa de quem as conhece a fundo e sabe muito bem onde colocar cada nota.

A junção de canções antigas e já testadas com composições novas nos dá, acertadamente, um panorama de toda a obra do músico. Suas composições perecem ter ganho uma certa alegria e desenvoltura ao longo dos anos. Alguém que nunca o ouviu poderia jurar, ao tomar conhecimento do álbum, que o jovem Toninho é o antigo e vice e versa.

E “Belo Horizonte” talvez traga em si esse segredo. Aos 73 anos e com 50 de carreira, o cantor e compositor parece renovado, despreocupado, diante de sua trajetória vitoriosa, de ter que provar algo para alguém ou até para si mesmo.

“Belo Horizonte” é um disco que, muito mais do que coroar uma carreira, aponta para novos rumos que só nos levam a esperar por muito mais do autor.

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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