Vexame de Mario Frias na Bienal de Veneza custou R$112 mil aos cofres públicos

Em maio, Frias esteve na Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza e revelou não saber quem foi Lina Bo Bardi, grande estrela do evento

O vexame que Mario Frias, secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro, passou em Veneza, na Itália, custou caro aos cofres públicos.

Em maio, o ex-galã de telenovela foi à cidade, representando o governo brasileiro, para prestigiar a 17ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, que teve como uma das principais homenageadas a ítalo-brasileira Lina Bo Bardi. Durante o evento, no entanto, Frias revelou não saber quem foi a arquiteta, uma das principais estrelas da mostra.

Entre valores de diárias e passagens aéreas, de Frias e dois assessores, foram gastos, ao todo, R$112 mil – valores que são de recursos públicos.

A informação foi obtida a partir de requerimento feito pela deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e pelo deputado David Miranda (PSOL-RJ).

“No momento em que a cultura está com recursos cortados ao MÍNIMO, sobrou dinheiro para Mario Frias, André Porciúncula e mais um assessor turistarem em Veneza gastando o absurdo montante de 112 mil reais em apenas 3 dias! Escárnio completo”, disse Sâmia.

Vexame

Ao ser perguntado sobre a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, durante a abertura do pavilhão brasileiro da 17ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, o secretário especial da Cultura, Mario Frias, respondeu aflito:

“Eu não conheço nada, desculpa! Me ajude”.

Após ouvir da repórter Michele Oliveira, da Folha, que “ela vai ganhar o Leão de Ouro pelos projetos que ela fez no Brasil, como o Masp e o Sesc Pompeia”, o secretário afirmou:

“Eu acho exatamente o que eu falei antes. Acho que a manifestação artística é a alma de um povo. Acho que é fantástico quando a gente tem um brasileiro que transborda essa camada de artistas importantes. Fico super orgulhoso, assim como estou orgulhoso de estar aqui. Para mim é um privilégio, eu nunca vim a Veneza e provavelmente não viria na minha existência [rindo]”.

Lina Bo Bardi

arquiteta Lina Bo Bardi venceu o Prêmio Leão de Ouro pelo conjunto de sua obra, na 17ª Bienal de Arquitetura de Veneza, também conhecida como Biennale Architettura. O evento é considerado o mais significativo do calendário da arquitetura mundial.

O Leão de Ouro é um reconhecimento aprovado pelo Conselho de Administração da Biennale di Venezia por recomendação da Biennale Architettura. No entanto, os arquitetos premiados in memoriam são uma excepção. A premiação vai acontecer no dia 22 de maio, na cerimônia de inauguração da Bienal de Arquitetura 2021.

Ela foi uma conceituada designer, cenógrafa, artista e crítica de artes. Ela foi indicada pelo arquiteto Hashim Sarkis, curador da Bienal do ano passado, que disse que Lina Bo Bardi exemplifica a perseverança do arquiteto. Lina também foi esposa do diretor do MASP (Museu de Arte de São Paulo), Pietro Maria Bardi.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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