Andrea Caldas

política e educação

16 de dezembro de 2018, 08h38

Da denúncia ao anúncio

O que a denúncia sem o anúncio (plano de lutas, alternativas concretas) pode significar para quem acorda para trabalhar às 5h da manhã e volta às 21h?

Da denúncia ao anúncio.

Esta é uma das frases mais profundas da obra de Paulo Freire.

E falo aqui como alguém que não é freireana, ainda que respeite sua grandiosidade teórica.

Como marxista, sempre tive alguns pontos de divergência com a formulação de Paulo Freire, assentada no cristianismo e idealismo.

Ainda assim, nestes tempos turvos é também dele que bebo e me aconselho.

E pergunto: que efeito concreto estamos provocando com a avalanche de denúncias e memes no tecido social?

Para além da catarse- entre nós mesmos- o que a denúncia sem o anúncio (plano de lutas, alternativas concretas) pode significar para quem acorda para trabalhar às 5h da manhã e volta às 21h?

Temos, sim, que denunciar. Mas, temos, fundamentalmente, que despertar sonhos e esperanças na política concreta.

Porque se não o fizermos, no plano da materialidade, as pessoas buscarão suas esperanças na metafísica, no fundamentalismo religioso, nos gurus.

E não podemos culpa-los por isto.

A vida é feita de cultivo de esperanças.

Temos de nos perguntar por que não somos nós que estamos conseguindo canalizar esta necessidade.

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Onde estamos falhando? O que podemos fazer para mudar e alterar rumos?

Como dizia Gramsci: “O pessimismo da inteligência precisa fecundar o entusiasmo da vontade”.