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02 de julho de 2019, 06h00

De romances a linchamentos, Zeca Baleiro apresenta o primeiro volume de seu amor no caos

“Bandido bom é bandido morto, esse argumento é tão perigoso, vejo pecado julgado pelo criminoso”, canta Rincon Sapiência em participação no novo álbum de Zeca Baleiro

Foto: Divulgação
“Se lembre, Todo Super-Homem tem seu dia de Clark Kent.” Com este verso o cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro abre o seu novo álbum “O Amor no Caos, Vol. 1”, onde tenta, aparentemente, revelar as suas e as nossas fragilidades, sobretudo as que vêm do coração. Suas novas canções são desprendidas, boas de cantar e dançar, ao mesmo tempo em que dialogam aqui e ali com os dias atuais e a necessidade geral de afeto. Zeca optou, desta vez, por falar do amor e suas mazelas, com a exceção talvez da comovente “O Linchador”, feita em parceria com o...

“Se lembre, Todo Super-Homem tem seu dia de Clark Kent.” Com este verso o cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro abre o seu novo álbum “O Amor no Caos, Vol. 1”, onde tenta, aparentemente, revelar as suas e as nossas fragilidades, sobretudo as que vêm do coração.

Suas novas canções são desprendidas, boas de cantar e dançar, ao mesmo tempo em que dialogam aqui e ali com os dias atuais e a necessidade geral de afeto. Zeca optou, desta vez, por falar do amor e suas mazelas, com a exceção talvez da comovente “O Linchador”, feita em parceria com o poeta conterrâneo Fernando Abreu e o rapper paulista Rincon Sapiência, um ponto alto e fora da curva do disco.

Nela, o texto de Abreu abre o ato musicado por Zeca Baleiro onde o protagonista dissimula um linchamento: “Bati um pouco sim…” ou “Quase não encostei nele…”, até que finaliza respondendo de maneira contundente: “acho que nem parecia com meu filho mais novo, linchador o caralho”.

O outro lado da conversa é revelado por Rincon, com uma breve reflexão da justiça: “Eles dizem: ‘bandido bom é bandido morto, esse argumento é tão perigoso, vejo pecado julgado pelo criminoso”, para encerrar com o mesmo verso de antes, mas desta vez do avesso, com uma pequena alteração: “linchador do caralho”.

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O álbum é, antes de mais nada, muito bem produzido, gravado, executado e divertido. Produzido pelo próprio Zeca e banda, conta com um som predominantemente pop, onde tanto a destreza do compositor na feitura de suas canções quanto a execução se misturam.

Zeca é um craque da nossa música que conseguiu criar um som próprio, repleto de detalhes e invenções que sempre passam também e muito pela criatividade dos músicos que o acompanham já de longa data: Adriano Magoo (pianos e sanfona), Fernando Nunes (contrabaixos), Kuki Stolarski (bateria e percussão), Pedro Cunha (teclados e synths) e Tuco Marcondes (guitarras, violões e tambura).

O disco traz também vários parceiros além de Fernando Abreu e Rincon Sapiência. Paulinho Moska participa com “Pela milésima vez”, já gravada por ele em seu disco do ano passado, O Barão Vermelho Frejat em “Te amei ali”, a linda “Mais Leve”, feita em parceria com Cynthia Luz que também faz participação especial.

Além delas, tem ainda a “Balada do amor em chamas”, com Celso Borges e cantada em duo com Ana A. Duártti, “Dia quente”, com Joãozinho Gomes e “Por minha rua”, com Dany Lopez. Esta última, uma das mais belas canções do álbum, na tradição das baladas românticas pós-Jovem Guarda, poderia muito bem ter saído de um álbum de Roberto Carlos ou Tim Maia.

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Ao chegar ao final de “O Amor no Caos, Vol. 1”, resta voltar ao começo enquanto se espera pelo número dois, que, assim como o seu “O Coração do Homem-Bomba”, de 2008, Zeca Baleiro garante que também virá.

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