20 de Novembro é dia de dizermos que a população negra existe, por Solange Massari

Talvez os caros deputados não sabem que, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 75,4% das vítimas pelas polícias brasileiras eram negros

Por Solange Massari*

Na data de ontem, vergonhosamente o chamado Deputado Federal CORONEL Tadeu e seu amigo Deputado Daniel Silveira, do mesmo partido, protagonizam um show de racismo e de negarem o genocídio da população negra no Brasil.

Talvez os caros deputados não sabem que, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 75,4% das vítimas pelas polícias brasileiras eram negros. Em busca de entender qual o perfil das vítimas da letalidade policial no Brasil, o Fórum investigou 7.952 registros de intervenções policiais terminados em morte, no período de 2017 e 2018. O levantamento foi divulgado na 13ª edição do Anuário da Violência, que compila e analisa dados de registros policiais sobre criminalidade, o sistema prisional e os gastos com segurança pública.

Mas talvez para ambos, todos são “bandidos e merecem a morte” , mas vamos mostrar quem são os bandidos pretos e pretas:

Kauê Ribeiro dos Santos, de 12 anos, foi baleado durante operação policial no Chapadão, na Zona Norte do Rio;

Kauã Rozário, de 11 anos, foi atingido por uma bala perdida na comunidade da Vila Aliança, em Bangu, Zona Oeste do Rio, seu crime andava de bicicleta no último sábado;

Kauan Peixoto, de 12 anos, foi baleado durante confronto entre PMs e criminosos na comunidade da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense;

Jenifer Silene Gomes, de 11 anos, foi baleada na porta do bar da mãe em Triagem, na Zona Norte do Rio, seu crime ter chegado da escola e estar descascando cebolas na porta do bar da família quando foi atingida;

Letícia Tamirez Gazol Ferreira, 9 anos, estava a caminho da Escola municipal Aline Gonçalves, no Parque Beira-Mar, em Duque de Caxias, quando foi baleada no tórax e braço. Havia um assalto e a polícia interviu. Além de Letícia, seu primo, de 6 anos, foi ferido por estilhaços; um vendedor de café foi baleado na barriga e 3 pessoas morreram. Letícia sobreviveu;

Um bebê de 1 ano e 10 meses que não teve a identidade revelada foi baleado no pé esquerdo na Favela da 48, em Bangu. Ele estava no colo da mãe, que a caminho da Igreja, também foi baleada e morreu. Ela levou 10 tiros ao ficar no meio do fogo cruzado em uma ação da PM no local para “coibir confrontos armados entre grupos rivais”. Outras duas pessoas foram mortas. O bebê sobreviveu;

Ágatha Félix, morreu aos 8 anos no Conjunto de Favelas do Alemão, seu crime estava em uma perua indo para casa com sua mãe;

Kethellen Umbelino de Oliveira, 05 anos , morreu baleada, seu crime, estava indo para a escola com sua mãe.

É vergonhoso ver esses dois homens, que representam a malfadada elite brasileira que desprezam seu povo, negam que a Policia mata, e pior reproduzem em seu ato e em palavras a morte mais uma vez de um povo que é a maioria dos brasileiros. É desprezível demais vermos homens que negam a própria história. Ambos cometeram um grave crime contra a sociedade brasileira. Além de negarem que temos uma policia despreparada, racista e que mata pelo simples fato de alguém ser negro, ainda estimulam a violência. Nós brasileiros pagamos seus salários e todos os privilégios que desfrutam da cadeira que se sentam e essa contribuição não vem de pessoas brancas, porque o dinheiro que esta nas contas bancárias faz parte dos impostos pagos pelos negros e negras desta sociedade.  A comida que vem para suas mesas, a conta esta paga por nós brasileiros trabalhadores explorados e esfolados por vocês.

Qual projeto digno fizeram esse ano? Será que ja mandaram para o Congresso a volta do pelourinho? Ou a venda das chibatas? Porque de ambos, apenas esse tipo de projeto devemos esperar.

Vergonha, muita vergonha de ainda existir pessoas poluindo o mundo. Mas peço perdão ao povo negro deste Brasil, peço perdão porque minha ancestralidade contribuiu com esse horror que temos até hoje. E na irmandade que nos une eu peço perdão e  “Ao contrário do homem branco, o africano quer o universo como um todo orgânico que tende à harmonia e no qual as partes individuais existem somente como aspectos da unidade universal”.  Ubuntu

*Solange Massari – BRANCA, MULHER, MÃE SOLO, ASSISTENTE SOCIAL, ATIVISTA PELOS DIREITOS HUMANOS e SEM MEDO DE DIZER RACISTAS NÃO VÃO PASSAR!

Texto enviado para os dois deputados e para o Congresso

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

 

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