Compostagem Industrial e Economia Donut: Quais as relações e vantagens? – Por Ana Flávia Braga

Método é exemplo de sustentabilidade e pode gerar novas concepções econômicas para um mundo mais viável

Foto: Prefeitura Municipal de Ubatuba
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Por Ana Flávia Braga Guimarães *

Você já ouviu falar em compostagem? Este termo refere-se ao processo biológico de valorização da matéria orgânica. Falando de forma mais objetiva e didática, a compostagem pode ser considerada uma espécie de “reciclagem” do lixo orgânico, mas sendo um processo natural, no qual micro-organismos degradam a matéria orgânica e a transformam em adubo. É um processo simples, higiênico e barato, que pode ser feito até mesmo dentro de casa.

A compostagem pode ser de origem urbana, doméstica, industrial, agrícola ou florestal, e ela tem inúmeras vantagens. Quando convertemos resíduos orgânicos num fertilizante natural, podemos enriquecer o solo, melhorar a saúde das plantas e reduzir a erosão.

Hoje, menos de 1% da população trabalha com compostagem. Pensando que no Brasil mais da metade da quantidade de resíduos gerada é orgânica, se a compostagem se tornasse um hábito, a quantidade de resíduos levados a aterros iria diminuir e, por consequência, os gastos com transportes seriam reduzidos e as emissões de metano mais baixas.

Podemos dizer, com toda certeza, que a compostagem é uma forma de aplicar a sustentabilidade no nosso dia a dia, e isso não é diferente para as empresas. A compostagem industrial transforma o lodo proveniente do tratamento dos efluentes em fertilizante orgânico, fazendo com que as empresas se tornem sustentáveis e obtenham uma série de vantagens, como por exemplo segurança em relação ao descarte de resíduos, diferencial competitivo e uma imagem positiva junto ao mercado.  A compostagem industrial também pode ser considerada uma espécie de tratamento de resíduos orgânicos, pois os torna mais seguros para uso, visando à reciclagem de nutrientes e de matéria orgânica estabilizada.

O conceito de compostagem industrial vai completamente de encontro com a Economia Donut, um modelo para a reconstrução econômica proposto pela economista britânica Kate Raworth em seu livro, publicado em 2019 no Brasil, pela editora Zahar, com o título: "Economia Donut: uma alternativa ao crescimento econômico". Na obra, sua proposta para reverter a crise financeira permanente, a desigualdade social e a pressão sobre o meio ambiente é um sistema no qual as necessidades de todos serão satisfeitas, porém sem esgotar os recursos do planeta. Uma maneira sustentável de crescimento.

Nesse contexto, a curva de crescimento infinito do Produto Interno Bruto (PIB) é trocada por um círculo, ilustrado por Kate como um Donut (uma "rosquinha"), com seus limites internos e externos à atividade humana, buscando apontar os caminhos para permanecer no espaço do meio, seguro para a prosperidade.

Ativistas ambientais e defensores da sustentabilidade, como Ana Beatriz Prudente, se referem a este termo também como Economia Circular. Nas palavras de Ana Beatriz: “A Economia Circular é um grande termo guarda-chuva, que quer modificar a economia baseada e sistemas lineares, que são altamente eficientes para a produção de bens e serviços, mas não é eficiente – e nem cabe mais – para o planeta, pois a economia linear favorece problemas ambientais”.

Para a Economia Circular e para a Economia Donut, o progresso da sociedade está no equilíbrio e não no crescimento desenfreado. Para alcançarmos este equilíbrio, processos como a compostagem são essenciais para criarmos uma sociedade mais sustentável, pois estamos falando de renovação e reaproveitamento de recursos, com diversas vantagens dentro da cadeia econômica e ambiental.

*Ana Flávia Braga Guimarães é especialista em Content Marketing e Consultora no escritório Ana Beatriz Prudente – Sustentabilidade, Branding & TI

**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.