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Brasil contra todos os golpes - Por Éden Valadares

Breves considerações sobre o dia nacional de mobilização das frentes populares, demais organizações e partidos de esquerda.

Eden Valadares com o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues.Créditos: Instagram / Eden Valadares
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“A praça é do povo como o céu é do condor” nos ensinou o Poeta da Liberdade. São muito bem vindos a Salvador todos aqueles e aquelas que quiserem ocupar nossas ruas para marchar em defesa da democracia e relembrar, condenar e repudiar os 60 anos de golpe militar no Brasil.

A decisão da Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, das demais organizações populares, movimentos sociais e partidos de esquerda de realizar na capital paulista e em Salvador, no próximo dia 23 de março, atos de mobilização com essa agenda é celebrado com alegria pelo PT Bahia. É preciso também exigir imediato cessar-fogo e denunciar o genocídio do povo palestino e defender que ideia de anistia para os golpistas do 8 de janeiro não passará.

Ninguém no Brasil deve ser condenado ou inocentado por tribunais de rua. Nenhum brasileiro deve ser preso - ou cassado - por pressão popular, sem o devido processo legal. Por isso a ideia de anistia defendida pelo inelegível e seus seguidores na Avenida Paulista é inconstitucional e deve ser contestada e descartada. Aos golpistas - sejam autores intelectuais, incentivadores, propagandistas, financiadores ou invasores - exigimos o rigor da Lei (que tanto foi nos negado, como nos casos de Dilma e Lula): que sejam investigados, denunciados, julgados, condenados e sentenciados, tendo todo amplo direito de defesa assegurado em cada fase do processo penal.

Em outras palavras, a mobilização nacional do dia 23 de março não é pela prisão de Bolsonaro. Isso se dará, ou não, pelo trabalho das polícias, Ministério Público e Judiciário. Iremos às ruas para barrar a tentativa - mais um golpe, afinal - de Bolsonaro e seus seguidores, no Congresso Nacional, inclusive, de anistiar quem atentou criminosamente contra o Estado Democrático de Direito.

É historicamente simbólico que tudo isso ocorra às vésperas do aniversário de 60 anos da implementação da Ditadura Militar no Brasil. O golpe daquela época instituiu a política da tortura; o de agora visa legitimar a violência como expediente político. O golpe do passado nos perseguia; o do presente nos segrega, nos oprime e discrimina. Ontem, violação dos direitos elementares, políticos, humanos, sociais, garantidos pela Constituição Federal; hoje também. 

Contra isso nos mobilizamos, nos organizamos e marcharemos. Ontem, hoje e sempre. Brasil contra todos os golpes! 

Éden Valadares é presidente estadual do PT Bahia.