Apesar de o Ministério Público de Goiás ter, em 2024, recuperado informações referentes à pessoa de Ronaldo Caiado, apagadas pela Polícia Civil do estado no celular do empresário assassinado Fábio Escobar, por meio de sua Coordenadoria de Segurança Institucional e Inteligência (CSI), órgão do MPGO subordinado à Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), que também constatou a adulteração, o governador de Goiás segue blindado pela entidade ministerial. A despeito de as informações do aparelho de Escobar não terem sido, por fim, extraviadas, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), também vinculado ao MPGO, solicitou sigilo das informações. Porém, com o indiciamento do primo do governador, Jorge Caiado, o MP-GO apresentou os prints que comprovam uma troca de mensagens entre Escobar e Ronaldo Caiado, em que aquele promete ao governador que apagaria as denúncias feitas à Cacai Toledo de suas redes sociais porque temia por sua vida e de sua família. Pelo que foi apurado, posteriormente, pelo portal Metrópolis em 20 de março de 2024, Fábio enviou uma mensagem para o WhatsApp do próprio Ronaldo Caiado, pedindo para não morrer e que sua vida fosse poupada para que pudesse criar seus dois filhos, suplicando ao governador que passasse a informação ao seu primo, o ‘temido’ Jorge Caiado, conhecido por ter influência política junto à classe policial de alta patente, que parecia ver nele uma oportunidade de receber honrarias e nomeações concedidas pela governadoria.
Bode (expiatório) marcado para morrer
No depoimento à Justiça, dado pela esposa do empresário morto em Anápolis, ela afirma que Fábio comentara com ela que “teria tentado” mesmo entrar em contato com Caiado para clamar por sua vida, já que vinha recebendo supostas “ameaças” após ter denunciado irregularidades (falsidade ideológica, Caixa 2 e formação de quadrilha) da primeira campanha de Caiado ao governo do Estado e tentativa de suborno do grupo de Caiado para que não levasse a cabo suas denúncias. Segundo o site Goiás24horas, que teve acesso ao print de uma conversa que Fábio Escobar enviou para sua esposa, o empresário havia sofrido uma emboscada mal sucedida antes daquela que viria a ceifar sua vida. Nela, Fábio afirma que os policiais ficaram o ‘encarando’ no velório do primeiro suplente do senador de Goiás Jorge Kajuru, Benjamin Beze Júnior. O fato foi corroborado pelo pai de Fábio, ex-presidente da Câmara Municipal de Anápolis, José Ecobar, que acrescentou que o filho escapou de uma emboscada, quando a polícia do governo o perseguiu e quase o encurralou em uma rua sem saída: “Sorte que no final do beco tinha uma garagem e um ônibus estava saindo” na PM.
A chacina envolvendo a morte por atentado a tiros de Fábio Escobar, no dia 23 de junho de 2021, e queima de arquivo de possíveis testemunhas do caso (7 pessoas aleatórias, entre elas uma grávida de 7 meses, a rigor: Bruna Vitória Rabelo Tavares, Gabriel Santos Vital, Gustavo Lage Santana, Mikael Garcia de Faria, Bruno Chendes, Edivaldo Alves da Luz Junior e Daniel Douglas de Oliveira Alves), revelou um esquema de corrupção política e policial dentro do governo. Os dez policiais militares que são suspeitos de comporem uma milícia que movimentou mais de R$ 11 milhões neste período foram presos como executores do crime. Suas narrativas coordenadas, supostamente, tentaram associar Escobar ao tráfico de drogas e roubo de carros, por meio de uma ficha criminal falsa dentro da Secretaria de Segurança Pública (SSP), já que o telefone de uma namorada de um suposto traficante foi roubado e usado para atraí-lo à cena do crime. Essa garota, no entanto, registrara um boletim de ocorrência com o namorado, reconhecendo os policiais, colocando ambiguidade na versão oficial dos PMs. Segundo o repórter Honório Jacometo, ele obtivera um documento que comprova troca de mensagens feita em 2021 pelos policiais, extraídas a partir de uma decisão judicial de celulares que foram encontrados com policiais militares investigados, em que é possível observar que, na data da morte de seis das vítimas, os policiais combinaram versões do suposto confronto em um grupo de divulgação de ocorrências da Polícia Militar, conforme foi noticiado por Camila Bezerra, no portal GCN.
Dança das cadeiras após denúncia contra Jorge Caiado
Após a formalização da acusação por participar da morte do empresário Fábio Alves Escobar Cavalcante contra o primo, que parece ser extensão do fenótipo do governador, o governador Ronaldo Caiado (UB) fez trocas no comando da Polícia Militar do Estado de Goiás (PM-GO). Uma das mudanças no alto escalão da PM-GO foi a substituição do coronel André Henrique Avelar de Sousa, atualmente na reserva, por Marcelo Granja, o novo comandante-geral. Após assumir, Granja assinou a portaria destituindo Newton Castilho da função de assistente policial militar no Congresso Nacional, que foi conduzido para Ajudância-Geral, no quartel do comando-geral em Goiânia, cuja patente para exercício é a de tenente-coronel, ou seja, inferior à dele (coronel). Nem a coronel Núria Guedes da Paixão e Castilho, esposa de Newton Castilho, foi poupada, já que foi dispensada do cargo de chefe do Comando de Gestão e Finanças da PM e transferida para a 4ª Seção do Estado Maior Estratégico. Já o coronel Karison Ferreira Sobrinho, comandante de Apoio Logístico e Tecnologia da Informação da PM-GO, também foi dispensado e transferido, no caso, para a função de chefe da Oitava Seção do Estado-Maior Estratégico, já que, segundo a jornalista Fabiana Pulcineli, do jornal O Popular, Karison fez críticas a supostas irregularidades em promoções por ato de bravura. Após todas essas danças das cadeiras, o subcomandante-geral da PM também mudou, pois o coronel Ênio José Carlos Hans assumiu a vaga do coronel Clives Pereira Sanches, que foi para a Gerência de Ação Integrada do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).
Em Goiás, mandam os Caiados e obedece quem é juiz!
No decorrer do caso, camadas de fatos sem qualquer relação aparente com a morte de Fábio Escobar emergiram na via crucis do desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) Adriano Roberto Linhares Camargo, que, em 1º de novembro de 2023, defendeu, literalmente ou não, em uma audiência no tribunal, que a Polícia Militar fosse extinta. Tal polêmica resultou em uma resposta do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, por meio de um vídeo em que chamou o magistrado de “desrespeitoso”, “agressivo” e “inconsequente”, acusando-o de “atentar contra o Estado democrático de direito”, chegando a supor que o magistrado estaria “cooptado por outras forças do crime” e, que, pelo conjunto da obra, ele deveria sofrer um impeachment.
Atendendo a pedidos do governador, como era praxe em um Tribunal de Justiça, cujas denúncias de corrupção e favorecimentos ilícitos só se avolumam, cinco dias depois, em 6 de novembro, o Órgão Especial do TJGO decidiu pelo afastamento do desembargador, retornando à função em 9 de novembro, por ordem do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Por trás do alvoroço da declaração de Linhares criado pelo governador, está a orquestração de uma cortina de fumaça para o caso de Jorge Caiado, já que o Dr. Adriano, lotado em Anápolis, era responsável pelo caso criminal envolvendo seu primo, o que permitiu sinalizar o que poderia acontecer com qualquer magistrado que venha a criminalizar sua família repleta de acusações criminosas ao longo de mais de 300 anos de hegemonia mandonista clientelista em Goiás.
Internamente, o magistrado sofreu pressão por parte do presidente do Tribunal de Justiça, Carlos Alberto França, para deixar a Câmara Criminal de Anápolis e, por consequência, a relatoria de processo do Caso Escobar, em que Jorge Caiado é um dos acusados por suspeita de envolvimento no assassinato de um empresário em Anápolis. Em escuta à gravação, segundo a Agência de Notícias Estadão Conteúdo, de uma conversa com o desembargador, é possível observar que Adriano foi acossado pelo superior para que parasse de atuar em processos criminais: “Soluções podem ser alcançadas para proteger todo mundo”, começa o presidente do Tribunal de Justiça. “Eu até adiantei isso a outros colegas, um ou outro pode até ter comentado com você, no sentido de começar a refletir, até para o sossego seu, da sua família, de todos nós, de atuar numa Câmara Cível uns tempos, sabe, Adriano. Não exclua essa possibilidade, não, meu amigo, tá? Aí ajudaria também o tribunal e acalmaria as coisas.”
Demonstrando a patente falta de independência entre os poderes, já que o governador parece ter colocado o judiciário de cócoras, o presidente do Tribunal de Justiça também aborda a representação de Caiado, haja vista, que o Órgão Especial chegou a afastar o desembargador, a pedido do governador, só sendo freado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que percebeu a frontal violação de preceito fundamental: “O governador, ontem, representou aqui, mas está parado, eu não vou dar andamento nisso agora. Vou, primeiro, buscar uma saída nossa aqui, para depois a gente dar um desfecho nessa representação e buscar, quem sabe, Adriano, diálogo, inclusive envolvendo você mesmo, se você tiver disposição. Sentar com o comandante da PM para expor, sentar com o próprio governador para expor, que não teve intenção nenhuma de ofender a PM”.
Após tanto constrangimento interno e externo, em dezembro de 2023, o desembargador Adriano Linhares deixaria ações em desfavor do Jorge, no melhor estilo Jânio Quadros (“forças ocultas…”, no caso dele, nem tão ocultas assim), alegando “motivo de foro íntimo” e, tendo se declarado suspeito para atuar nos processos, justamente, por causa do atrito com o governador, realizado justamente para que ele se tornasse ele o “suspeito” e não o governador e seu priminho adestrado.
Livres, leves e soltos
Após eliminar um juiz independente do caso, ficou mais fácil para os aliados do governador conseguirem vitórias expressivas, já que, um ano depois, os juízes da 1ª Vara Criminal de Anápolis absolveram os cabos Glauko Olívio de Oliveira, Rodrigo Moraes Leal e Thiago Marcelino Machado, o soldado Wembleyson de Azevedo Lopes e o primeiro-tenente Adriano Azevedo de Sousa, todos da PM, por um triplo homicídio, ocorrido em 23 de agosto de 2021, em Anápolis, que, segundo, o Ministério Público de Goiás (MPGO), seria a suposta queima de arquivo para abafar o caso Fábio Escobar. A Justiça entendeu que os policiais militares, apesar das provas que sugeriram combinação de versões, agiram em legítima defesa em uma abordagem de rotina, o que seria perdoável conforme a velha tática de rotular mortes cometidas pela polícia como excludente de ilicitude. O juizado, ao contrário do que costuma ocorrer quando o réu é preto, pobre e periférico, preferiu considerar nesse caso uma irrestrita presunção de inocência, justificando que “a narrativa [do MP] dependia de realização de outras provas com suficiência para afastar a constatação inicial, o que não foi feito (…). Assim, entende-se que a medida de Justiça é absolver sumariamente os acusados em razão da excludente de legítima defesa”. Segundo o MP, as três vítimas (Gabriel Santos Vidal, Gustavo Lage Santana e Mikael Garcia de Faria) eram amigos de uma jovem morta um dia antes, Bruna Vitória Rabelo Tavares, que seriam culpabilizados pela morte dela, sendo o Glauko o ponto de ligação nos três crimes, já que foi ele quem pegou o aparelho de Bruna.
Defendido pelo ex-senador cassado por sua associação com o bicheiro Carlos Cachueira e ex-promotor do MP-GO, Demóstenes Torres, o ex-presidente do DEM (atual União Brasil) de Anápolis, Carlos César Savastano de Toledo, foi solto em dezembro de 2024, após ter se tornado foragido da polícia por 6 meses. Atualmente, ele não utiliza sequer tornozeleira eletrônica. Talvez, por isso, ele tenha resolvido sair da água em novembro de 2025, para prestigiar a homenagem relacionada à causa da pessoa com autismo e deficiência cognitiva, proposta pelo vereador Frederico Godoy, no âmbito da Câmara Municipal de Anápolis, ao cunhado, o conselheiro do TCE-GO, Sebastião Tejota, pai do deputado estadual e ex-vice-governador da primeira chapa de Caiado, Lincon Tejota, a mesma chapa encabeçada pelo DEM, sobre a qual Fábio Escobar fizera denúncias de crime eleitoral na campanha.
Do outro lado, Jorge Caiado, segue com seu emprego na Assessoria Técnica da Diretoria Parlamentar da Alego, sendo visto na Casa do Povo livre, leve e sem tornozeleira também. Mais um possível criminoso de alta periculosidade que parece acreditar que a amizade com o governador será capaz de torná-lo impune, pelo menos, nas instâncias judiciárias goianas, controladas por Caiado com rédeas curtas. Tanto é, que ele mesmo, apesar de supostamente ter cometido o crime de prevaricação por ter ciência de um homicídio iminente, nada fez para impedir, conforme o acusara o coronel Newton em seu depoimento, o que motivara até Jorge a solicitar (e depois retroagir) o depoimento do governador em sua defesa, o que deveria ter sido sustentado pelo MP-GO, no que permitiria fazer uma acareação entre os dois primos aliados políticos.
Um pai que enterrou um filho assassinado e enfartou antes de ver os acusados condenados
Como já foi verbalizado diversas vezes pelo ex-vereador José Escobar, pai de Fábio Escobar, o governador não cometeu somente prevaricação, tendo sido, na verdade, o verdadeiro mandante do assassinato de seu filho, tendo reforçado para o portal Goiás 24 Horas, que o filho fora de fato seguido antes de ser assassinado, o que motivou sua tentativa de apelar por misericórdia do governador, que não respondeu aos seus clamores digitais. Já para o quase sempre destemido MP-GO, nem omissão, nem abuso de poder, parece ter cometido Ronaldo Caiado no Caso Escobar. Não querem mexer com a onça com a Vara Criminal, sendo mais prudente indiciar o peixe pequeno, que é seu primo, ignorando as denúncias do coronel de, pelo menos, ciência dos fatos, por parte do governador, o que já constitui uma suposta infração grave e inconstitucional. Assim, como muitos goianos medrosos, o GAECO parece também preferir não mexer com a onça com vara criminal curta e deixar Ronaldo Caiado sem nenhum arranhão jurídico, apto para acreditar ser plausível sua ambição presidencial, mesmo que às custas do atraso humanitário em Goiás, refém de sua estirpe e suas práticas corruptas, coronelistas e escravistas, que seguem sendo notícia nos bastidores da notícia e nos rodapés das história de um Estado, em que a maioria da classe jornalística e historiadora foi amordaçada, por depender das benesses do governo para manter suas reuniões com cheiro de mofo de enciclopédia.
Infelizmente, José Escobar falecera dia 12 de novembro, um dia após a homenagem na Câmara que maculara sua antiga casa laboral, onde trabalhou por mais de 10 anos, em função da presença de Cacai Toledo, talvez já confiante na impunidade. Em sua derradeira entrevista ao Portal Goiás 24 Horas, ele fez revelações bombásticas acusando que vinha estava sofrendo assédio por parte do coronel da Polícia Militar de Goiás Edson Melo Raiado, o mesmo coronel que costumava em eventos oficiais da prefeitura ou governo do Estado Anápolis, fitar rijamente Fábio Escobar, por ele ter denunciado o esquema eleitoral criminoso no DEM. Fato que até hoje não foi devidamente investigado, mostrando que a chacina envolvendo Fábio Escobar foi um delito muito eficaz, por não afastar o foco do crime que mancharia a biografia do governador, que, às duras penas, não conseguiu ainda avacalhar, nem mesmo com a do seu primo, por enquanto.
Novo Cangaço, Novo Coronelismo
O coronel Edson Raiado tem um histórico de herói marginal na polícia, tendo sido promovido à Coronel em 2025, mesmo ano que assumiu a regional de Trindade da Polícia Militar do Estado de Goiás (PM-GO), após afastamento, em abril de 2024, da liderança do Comando de Operações de Divisas (COD), em função principal da descoberta de um confronto forjado por policiais militares do seu batalhão. Na verdade, Raiado entrou para o panteão dos policiais lendários, quando atuava, na verdade, como segurança do governador, e se voluntariar, juntamente com outros colegas da Casa Militar para participar da caçada à serial killer Lázaro Barbosa no entorno de Brasília, em paralelo ao grupo oficial das polícias de Goiás e Distrito Federal. Ele costuma declarar, sem provas, em jornais e no livro escrito para promover sua biografia política, ter matado Lázaro Barbosa, em 2021, durante uma ação policial, que foi descrita pela PM como suposta troca de tiros.
Segundo matéria “Corpo de Lázaro tinha balas que não eram da PM” de Márcio Leijoto em 3 de novembro de 2025, no Jornal O Popular, a investigação atual, após 4 anos do turbilhão sensacionalista de emoções que envolveu o caso, tem revelado diversas supostas ilegalidades e incompletudes nessa operação e até no relatório da Polícia Civil. A octogésima terceira promotoria de Goiás afirma, a partir do exame de balística, que dos 42 tiros que alvejaram Lázaro (um número que por si só, já sugere, supostamente, uma execução sumária para impedir um julgamento digno e, no mínimo, uma afronta ao princípio de economicidade), 5 não eram balas das forças policiais (somente um dos projéteis já estava no corpo dias antes da morte), o que pode sugerir atuações milicianas ou paramilitar, juntamente, com a polícia, característica típica de Estados de Exceção com zonas de poder paralelo, onde o devido processo policial e legal não são parâmetros de conduta judiciária.
Em função disso, a Ordem dos Advogados do Brasil, seção de Goiás (OAB-GO), na pessoa do presidente da Comissão de Direitos Humanos, Roberto Serra, informou na época, que iria acompanhar a investigação da Polícia Civil para apurar se as circunstâncias da morte ocorreram “nos limites da legalidade”, ou se houve uma banalização e espetacularizante da morte. A participação direta de Raiado na temporada de caça à Lázaro e, pelo menos, na torcida organizada contra a família Escobar, parece sugerir que todos que os dissidentes e opositores políticos do Caiado, devem ser considerados e ser tratados como marginais, cabendo aplicar neles uma única Lei, a de Talião.
Contra o Governador, Vote Emenda Constitucional 45!
Ao que tudo indica, o procurador-geral Paulo Gonet, recém-agraciado com o título de cidadania goiana pela Alego, não federalizará o caso de Fábio Escobar, como sugerira nosso Movimento, o Oposição com Liderança (Dossiê Anticaidista veiculado na Revista Forum), formalizado, posteriormente, pelo advogado Valério Luiz, que protocolizou junto à presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), Charlene da Silva Borges, pedido para que atue junto à Procuradoria Geral da República para que o caso fosse entendido como Incidente de Deslocamento de Competência - IDC) a luz da Emenda Constitucional 45/2004 109, § 5º, da Constituição Federal, que permite a federalização de casos criminais graves (especialmente violações de direitos humanos), deslocando da Justiça Estadual para a Justiça Federal, em situações excepcionais onde há inércia, incapacidade ou risco de impunidade por parte das autoridades.
Isso porque, nesse caso, certamente, Gonet terá que dar o mesmo tratamento que a PGR deu para o caso Marielle Franco, resolvido após essa transferência, realizando o que o MP-GO não teve coragem, porque há sérios riscos de retaliação às testemunhas e denunciantes, como o próprio desfecho mórbido de Fábio Escobar parece sugerir. Sendo assim, terá que arrolar Ronaldo Caiado como testemunha ou indiciá-lo como suposto corréu mandante do assassinato do ex-assessor, nesse caso, mantendo a ele ampla defesa e contraditório, e presunção de inocência, mas não a sensação de impunidade e todos os acusados já citados, que gozam de liberdade cautelar, a despeito da suposta possibilidade de eles terem condições de estarem interferindo na ação, até porque um deles, já demonstrou ser capaz até mesmo de fuga por mais de 6 meses.
Infeliz a nação que tem Ronaldo Caiado como possível presidente da República, pois essa é uma nação que está à beira, não de se tornar uma Venezuela, mas, sim, uma Coreia do Norte. Talvez assim, ao cabo das investigações, se essas forem, verdadeiramente, idôneas e imparciais, Caiado e sua suposta milícia neocoronelista composta, inclusive, por membros de sua família extensa e do aparelho militar estatal de um estado goiano autoritário sem direitos, tenham que sair daqui, afinal, não é Goiás em que criminoso não se cria, ou melhor, “ou muda de profissão, ou muda de estado?
*Frederico Assis Brasil é professor Urbanidade na UFSJ, com doutorado no Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas da UFRJ e idealizador do Oposição com Liderança.
**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.