PARADA

30 anos de história e, principalmente, de muita luta – Por Diana Conrado

A Parada LGBT é um espaço, sim, de celebração, porque nós, pessoas LGBTs,  vivemos todos os dias com medo e matando um leão por dia para sobreviver. Precisamos sim celebrar nossas vidas e dignidade

Parada do orgulho LGBTQIA+ volta à Praia de Copacabana neste domingo (23)Créditos: Acervo do Grupo Arco Íris/Divulgação
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A 30ª edição da Parada LGBT de Copacabana, a primeira realizada no Brasil, acontece neste domingo. Neste momento, é fundamental analisarmos o que foi feito nos últimos 30 anos. É inegável que houve avanços importantes no que se refere à garantia de direitos para a população LGBT no nosso país.

Mas também se faz igualmente importante olhar para frente e pensar tudo o que falta conquistar. Sabemos que ainda falta muito, principalmente, quando nós pensamos que a população LGBT ainda luta pelo que há de mais básico - sua dignidade,  respeito, não violência contra seus corpos, por poder amar quem quiser amar, por ser quem é, pelo acesso ao trabalho, à renda, à educação, à saúde plena. Essas ainda figuram entre as maiores demandas da população LGBT.

Em tese, já existem políticas públicas constituídas para a população como um todo. Mas, na verdade, esse grupo em específico tem grande dificuldade de acessá-las.

Desta forma, a parada nos traz oportunidade de pensar que tipo de cidade nós queremos construir. Eu quero construir uma cidade que inclui a diversidade, que seja boa não só para alguns, mas para todas as pessoas, especialmente para quem mais precisa.

Porque uma cidade que seja boa para quem mais necessita será boa para todas as pessoas. E, para isso, é necessário que nós tenhamos um olhar atento e cuidadoso para as demandas dessa diversidade.

Nesta edição de 30 anos da Parada LGBT, nós precisamos celebrar, mas também estabelecer um compromisso com uma cidade verdadeiramente diversa, que cria políticas capazes de garantir segurança, trabalho, moradia, saúde integral e dignidade para essa população sempre tão marginalizada.

E estamos falando da população LGBT que vive numa cidade como o Rio de Janeiro, que cada dia mais tem se tornado essa referência de turismo para a população LGBT estrangeira. Isso gera uma oportunidade de geração de renda para essa população LGBT que reside no Rio. E é importante nós olharmos para isso, olharmos para as pessoas que estão em extrema vulnerabilidade e precisam de uma oportunidade, seja para obter um trabalho ou de retomar aquilo que perdeu em razão da discriminação.

A Parada LGBT é um espaço, sim, de celebração, porque nós, pessoas LGBTs,  vivemos todos os dias com medo e matando um leão por dia para sobreviver, para dizer o mínimo. Então, nós precisamos sim celebrar nossas vidas e dignidade.

Mas não estamos buscando tratamento especial. Afinal, ter o direito de viver, à dignidade, e acesso ao trabalho e à renda é pedir demais?

*Diana Conrado é advogada e coordenadora de Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio

**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum

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