O que o brasileiro pensa?
04 de fevereiro de 2020, 22h30

A Petrobras está dentro de nossas casas, por Frei Sérgio Antônio Görgen ofm

“Dispensamos a Esso, a Shell e outras que tais, sugando nosso suor, nosso sangue e levando nossas riquezas”, diz o frei

Foto: Divulgação/Petrobras

Por Frei Sérgio Antônio Görgen ofm*

O ônibus que nos leva até a rodoviária, até o bairro ou até o centro da cidade é movido a diesel, com petróleo extraído do fundo do mar, pela Petrobras e seus trabalhadores, com tecnologia de exploração em águas profundas desenvolvida por engenheiros e cientistas desta nossa amada nação.

Nossos carros e motos se movem com gasolina, da mesma fonte e da mesma empresa. Assim nossos tratores, caminhões e colheitadeiras. Produzem e transportam o alimento e as bebidas que estão todos os dias em nossas mesas.

Cozinhamos e aquecemos água – para o café, o chá, o chimarrão – com gás de cozinha originado na forma gasosa de coproduto proveniente da extração do petróleo. Assim, também fertilizantes nitrogenados e uma gama enorme de produtos originários da petroquímica estão presentes em nosso quotidiano. Muito mais do que imaginamos, de plásticos, estofados a chinelos de dedos.

Em tudo isso, a Petrobras está presente.

Esta empresa é uma de nossas maiores façanhas como povo brasileiro. Muitos lutaram por ela. Muitos desacreditavam de suas possibilidades. Getúlio Vargas assumiu a decisão política de criá-la no bojo de um fantástico movimento popular chamado “O Petróleo é nosso”.

O mesmo Getúlio criou a Fábrica Nacional de Motores e a Companhia Brasileira de Tratores. Mas Juscelino Kubitscheck, em troca de multinacionais automobilísticas e de máquinas agrícolas, rifou a indústria e a tecnologia nacional. Os militares nacionalistas – já existiu este tipo de seres em nosso país – não aceitaram entregar a fabricação de aviões e a Embraer sobreviveu como empresa nacional até dias atrás.

E, assim, a FNM e a CBT foram extintas e os motores de nossos ônibus, carros, motos, tratores, colheitadeiras, caminhões são todos produzidos por multinacionais e o lucro vai para fora. E vivemos o paradoxo de um povo que desenvolveu ciência para explorar petróleo em águas profundas e construir aviões, mas não sabe fazer uma motocicleta, um carro, ….

Não que não sabe, é que houve uma decisão política que entregou isso a outros e matou o que era nosso. Matou a ciência, o saber, a indústria.

Agora, as multinacionais querem também a Petrobras e todo o nosso petróleo.

O processo está em andamento, por isso o preço dos combustíveis e do gás já está dolarizado e sobe conforme a moeda americana. As refinarias da Petrobras produzem 70% de sua capacidade e nós exportamos óleo cru e importamos diesel. Petrobras produz adubos nitrogenados. Fecharam a fábrica e passaremos a importar, encarecendo ainda mais os custos de produção agrícola, que vai encarecer o alimento.

Os trabalhadores da Petrobras, os heroicos petroleiros, estão na linha de frente para resistir e não deixar que esse descalabro aconteça.

Fosse por mim, não queria a Ford, a Mercedes, a GM, a John Deere ganhando dinheiro nas nossas costas e levando o lucro para fora, enquanto nosso povo passa necessidade. Mais dia, menos dia, um projeto nacional começará a reverter essa desnacionalização reconstruindo uma nação livre, justa e soberana.

Precisamos a Petrobras nacional e pública dentro de nossas casas, em nosso cotidiano, industrializando o país e gerando emprego, vendendo combustível em reais e não em dólares. Dispensamos a Esso, a Shell e outras que tais, sugando nosso suor, nosso sangue e levando nossas riquezas.

Até para a grande transição ecológica que as mudanças climáticas nos obrigarão a fazer, diminuindo paulatinamente a petrodependência em nossa economia, em nossa agricultura e em nossa sociedade, será mais fácil e mais viável com uma Petrobras nacional e pública.

Viva a resistência petroleira. Todo o apoio à greve dos petroleiros. Somos todos petroleiros.

*Frei Sérgio Antônio Görgen ofm é frade franciscano e militante do Movimento dos Pequenos Agricultores

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum

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