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21 de fevereiro de 2020, 17h10

A serenidade contra o obscurantismo, por Éden Valadares

"Ao contrário do que quer Bolsonaro, ao tentar transformar esse assunto em tema da disputa política, o Brasil merece, e precisa, saber a verdade e exige o aprofundamento da análise dos fatos, das evidências, das provas"

Adriano da Nóbrega, miliciano ligado a Flávio Bolsonaro morto pela polícia (Arquivo)

Por Éden Valadares, presidente do PT da Bahia

O histórico profissional do jornalista Renato Rovai não dá espaço para dúvidas: é um incansável defensor da democracia, da justiça social e das liberdades individuais de todos os cidadãos. Por isto, mesmo com todos os equívocos cometidos no artigo “Rui Costa está tornando o PT cúmplice do assassinato de Adriano da Nóbrega”, publicado pelo Blog do Rovai e pela Fórum, em 17 de fevereiro, não há como enxergar más intenções em sua manifestação.

Porém, é evidente que houve ali certa precipitação. E isso é compreensível. Afinal, os amantes da democracia não podem ficar calados às infindáveis barbaridades cometidas pelo Governo Federal e pela família que, lamentavelmente, tem nossos destinos em suas mãos; e essa urgência pode lançar certa névoa sobre a realidade.

É preciso deixar claro: em nenhum momento o governador Rui Costa afirmou, nem mesmo insinuou, que “bandido bom é bandido morto”, ao contrário do que diz Rovai. Rui, desde o primeiro momento, colocou à disposição todos os meios possíveis para que o caso seja elucidado de forma rápida e correta. E é isso que a sociedade baiana e brasileira exigem; é isso que nós do PT esperamos e confiamos que será feito.

Mas o foco das discussões, repercussões e do olhar da opinião pública não deve se encerrar aí, mas sobretudo nos vínculos entre o Presidente da República, sua família e o Adriano da Nóbrega. Eles não só prestaram homenagens oficiais ao ex-capitão. Eles não apenas nomearam seus parentes para cargos de confiança. A imediata reação de Bolsonaro à captura de provas – especificamente os celulares – que estavam sob posse do suspeito, beira o desespero. Isso é fato.

A tentativa de arrastar o caso em tela para a política, o esforço para transformar este assunto em uma questão partidária, a falta de zelo com a postura institucional exigida para lidar com o ocorrido levantam mais do que suspeitas, revelam uma aflição da parte do presidente em criar uma cortina de fumaça sobre a real relação entre o miliciano e os Bolsonaros.

Devemos aguardar o resultado das perícias para podermos, finalmente, compreender o que aconteceu em 9 de fevereiro. No entanto, devemos também seguir cobrando que a investigação revele até onde se encontram os interesses entre o bandido suspeito e o Palácio da Alvorada. Não à toa 20 governadores, de forma pluripartidária, se manifestaram. Senão por outra razão a imprensa livre cobra desdobramentos. Por essa razão a sociedade brasileira manifesta apoio a Rui e a continuidade das investigações. Ao contrário do que quer Bolsonaro, ao tentar transformar esse assunto em tema da disputa política, o Brasil merece, e precisa, saber a verdade e exige o aprofundamento da análise dos fatos, das evidências, das provas.

Até lá, penso eu, a serenidade deve ser nosso guia, sob o risco de abrirmos fissuras entre as forças democráticas que apenas servirão para fortalecer os arautos do obscurantismo.


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