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26 de agosto de 2019, 19h00

Amazônia em chamas: capitalismo em ascensão

As sociedades de consumo e a hegemonia do capitalismo selvagem, principalmente no campo das relações econômicas, são as principais responsáveis pela atroz destruição do meio ambiente. Esta matriz no Brasil tem seu representante direto - Por Maria do Rosário

Por Maria do Rosário*

Uma nova semana se inicia, e se a Amazônia segue sendo tema de editoriais críticos pelo mundo, agora o governo brasileiro tornou-se tema de reunião do Grupo dos Sete (G7). Não por méritos econômicos ou conquistas sociais, mas pela inoperância e incapacidade de manejar de forma competente os problemas nacionais.

Um país soberano preza pela defesa de suas riquezas naturais, sociais e econômicas. Isto significa que políticas de valorização da diversidade sociocultural e ambiental presente na Amazônia, proteção aos direitos territoriais dos povos e comunidades tradicionais, combate ao desmatamento ilegal e a promoção de pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico para o desenvolvimento sustentável da região deveriam ser prioridades para qualquer governo que se preocupe com desenvolvimento. Bolsonaro, que diz ser um nacionalista, não pensa desta forma.

Neste novo momento político, deixamos a posição protagonista de uma política exterior altiva e ativa com Lula e Celso Amorim, para uma posição subalterna e embaraçada perante a comunidade internacional, com Bolsonaro e Ernesto Araújo. Durante os governos do PT, ocorreu uma drástica redução do desmatamento na Amazônia Legal, região que compreende os nove estados onde se encontram a bacia amazônica e sua vegetação, e que naquele período passou a contar com uma fiscalização mais rigorosa e principalmente com a oferta de alternativas econômicas sustentáveis às populações locais.

Dados recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registraram um aumento de 88% entre junho deste ano e o mesmo mês do ano passado. A revelação, além de irritar o governo, que logo tratou de colocar os dados em xeque, resultou na exoneração do físico Ricardo Galvão, o então diretor do Inpe. Para combater os incêndios, o governo decretou o emprego das Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) na região amazônica.

Muitas são as condições que ferem a floresta amazônica. Seja o desmatamento, que reduz o nível de chuvas locais e a floresta se torna mais seca e, sendo assim, mais inflamável, ou incêndios, provocados para realizar a limpeza de áreas já desmatadas e limpeza para pastagens com fins pecuários ou mesmo pelas mãos do agronegócio, para o preparo da terra ao plantio.

A matriz deste problema, porém, é única. As sociedades de consumo e a hegemonia do capitalismo selvagem, principalmente no campo das relações econômicas, são as principais responsáveis pela atroz destruição do meio ambiente. Esta matriz no Brasil tem seu representante direto. A ascensão da lógica ultraliberal que está sendo não apenas apoiada, mas viabilizada pelo governo Bolsonaro, tem fortes raízes no agronegócio e ojeriza ao meio ambiente.

É possível desenvolver-se sustentavelmente, preservando as riquezas naturais, respeitando os povos originários e ao mesmo tempo manter um nível econômico socialmente justo e igualitário. Outro mundo é possível.

*Maria do Rosário é deputada federal (PT-RS)

 

Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum 

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