sábado, 24 out 2020
Publicidade

Diga não à Cristofobia! Por Zé Barbosa

Não me esqueço o dia em que eu estava numa catequese e a Polícia entrou na igreja, junto ao Conselho Tutelar e me tiraram de lá. A denúncia foi feita pelos meus avós, que eram de um terreiro. E a PM prontamente atendeu

Hoje tirei o dia para relembrar as diversas vezes que fui vítima de Cristofobia, e não foram poucas. E ainda há quem diga que não existe Cristofobia no Brasil…

Não me esqueço o dia em que eu estava numa catequese, preparando-me para fazer a primeira comunhão, e a Polícia entrou na igreja, junto ao Conselho Tutelar da cidade e me tiraram de lá. A denúncia foi feita pelos meus avós, que eram de um terreiro. E a PM prontamente atendeu, afinal era um absurdo uma criança ser doutrinada desde cedo e, inclusive, fui tirado do convívio com a minha mãe, católica fervorosa, pois ela estaria me influenciando nessa religião tão perigosa. Não me perguntaram nada. Só depois… e depois de muita luta do povo cristão, pude voltar pra casa, pra minha mãe, e pras aulas de catecismo…

Meses depois, ainda criança, andava na rua tranquilamente com meu terço na mão, sinal inequívoco da minha fé católica quando, do nada, uma pedra atingiu minha cabeça. Caí no chão, cabeça sangrando e isso sem contar as pessoas que, à minha volta, xingavam e praguejavam “Sai daqui sua católica!” “Vai rezar em outro lugar!”, ainda ouvi um outro lá no fundo dizendo “Só podia ser religião de branco!”, caso típico de racismo reverso. Não imaginam o quanto sofri…

Já adolescente, na escola muitas vezes era obrigado a esconder meu terço ou, às sextas feiras, minha camisa com a imagem de Nossa Senhora das Dores. Engraçado que meus amigos, macumbeiros, não tinham problema nenhum em usar suas guias e seus turbantes. Inclusive eu era obrigado, todo dia, a cantar um ponto de Exu, diante da imagem dele que havia no pátio do colégio.

De adolescente pra jovem, migrei pra igreja evangélica, achei que, com menos aparatos “visíveis”, o preconceito diminuiria. Ledo engano.

O povo de terreiro se aliou ao tráfico na comunidade onde eu moro e agora é um terror só. Semana passada invadiram a igreja onde eu congrego e quebraram tudo, queimaram as Bíblias e hinários que estavam nos bancos e ainda disseram pro pastor “sumir dali e não trazer mais maldição praquele bairro”. Ah, gente, essa cristofobia tá ameaçando a vida dos meus irmãos cristãos…

Por fim, esta semana, depredaram a Praça da Bíblia, que fica bem no fim da minha rua. Um absurdo! Quebraram a imagem que tinha do meu livro sagrado e ainda picharam tudo, dizendo que “só Exu salva!”

Não sei mais o que fazer… estou em pânico. Mas graças a Deus ontem ouvi o presidente dizer que vai lutar contra a Cristofobia no Brasil. Finalmente! Como a gente precisava disso pra acabar de vez com essa praga desse falso Estado Laico que só privilegia essas religiões perigosas.

Graças a Deus!

Zé Barbosa Junior
Zé Barbosa Junior
Teólogo, pastor da Comunidade Cristã da Lapa, escritor, membro do Comitê Estadual de Defesa da diversidade religiosa de MG