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05 de fevereiro de 2020, 23h02

Doria, com saúde não se brinca, por Emidio de Souza

"Em vez de ampliar os investimentos na saúde e a oferta de atendimentos, Doria quer acabar com o pouco que existe"

Prédio do Icesp de Osasco, ameaçado pelo governo Doria (Divulgação)

Por Emidio de Souza*

Tratamento fundamental para o combate ao câncer, a radioterapia oferecida no Icesp localizado na cidade de Osasco está ameaçada. O goveno Doria enviou uma resposta oficial a um requerimento de informação que encaminhei ao Estado, no mês de outubro, comunicando que a unidade não vai mais oferecer o serviço a partir do mês de maio.

A radioterapia, bem como toda a estrutura do Icesp de Osasco, é uma grande conquista da cidade. Fruto de um árduo trabalho do ex-deputado Marcos Martins, do grupo Oncovida e da ABREA, a unidade já ajudou centenas de pessoas da região. Eu era prefeito em 2009 quando a campanha pela instalação do órgão começou e a aderi de antemão.

O equipamento que deveria receber mais investimentos, hoje sofre um desmonte, com corte do número de funcionários e, consequentemente, o índice de atendimentos reduzindo.

O governo Doria parece dar de ombros para a situação das pessoas que sofrem com o câncer. No Brasil, a doença é a segunda maior causa de morte, chegando a provocar aproximadamente 600 mil casos e 240 mil vítimas por ano. E no Estado de São Paulo não é diferente. Além disso, um estudo da OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que o número de casos de câncer no Brasil tende a aumentar em 78% nos próximos 20 anos.

Na resposta oficial que encaminhou à Assembleia, o Estado não fala em “suspensão” do atendimento. Eles frisam muito bem que o serviço não terá continuidade. Assim que comecei a denunciar o desmonte do Icesp Osasco, o governo de São Paulo correu para anunciar à imprensa que o serviço seria interrompido “apenas” por seis meses.

Mas não é isso que eles colocaram no documento. A falta de transparência desses dados coloca em xeque o funcionamento do Icesp de Osasco e quais os reais planos do governador para a unidade.

Se levarmos em conta que Doria, de fato, vai suspender a radioterapia para instalar um aparelho novo em seis meses, precisamos nos atentar para outro ponto que prejudica a população. Um aparelho não é suficiente. O Icesp Osasco atende pacientes de todas as cidades da chamada Rota dos Bandeirantes, que juntas possuem 1,5 mi de habitantes. É absurdo apenas um aparelho para todas essas pessoas. A OMS recomenda um aparelho de radioterapia para cada 300 mil habitantes. Ou seja, um aparelho não é suficiente nem para a população de Osasco.

Enfim, em vez de ampliar os investimentos na saúde e a oferta de atendimentos, Doria quer acabar com o pouco que existe. Não bastasse esse desmonte, o governador tenta fechar o OncoCentro, responsável por exames e atendimento em mais de 540 unidades de saúde do Estado, a Superintendência de Controle de Endemias e a Furp – Fundação Para o Remédio Popular, maior laboratório público de medicamentos do Brasil.

É erro atrás de erro. De acordo com o Orçamento enviado por ele à Assembleia Legislativa no final do ano, as fundações Oncocentro e Pró-Sangue vão perder, juntas, R$ 8 milhões em 2020.

Doria é insensível. Ele despreza as necessidades do povo.

Eu não aceito esse tipo de coisa e estou trabalhando para impedir esses retrocessos. O fim da radioterapia no Icesp Osasco vai prejudicar milhares de famílias da região.

Quando administrei Osasco vi de perto o quanto esse tipo de equipamento é fundamental para o sistema de saúde da cidade.

Sou defensor do SUS e estou trabalhando para que a radioterapia no Icesp de Osasco não só continue, como tenha condição de atender mais pacientes. Na semana passada, solicitei agenda com o secretário de Saúde do Estado para discutir o problema. Não vou parar enquanto não acharmos uma solução para os pacientes de Osasco e região que dependem da radioterapia para tratar o câncer.

*Emidio de Souza é deputado estadual e ex-prefeito de Osasco


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