Doria mete a mão no bolso dos aposentados e defende o teto de gastos – Por Professora Bebel

Com que moral o governador fala em “atraso”, defendendo as medidas implementadas no governo golpista de Michel Temer e aprofundadas no governo de Jair Bolsonaro, cuja eleição o senhor apoiou em 2018, com o lema “BolsoDoria”?

Por Professora Bebel *

O governador João Doria lançou documento se contrapondo ao Partido dos Trabalhadores, que pretende revogar a reforma trabalhista (que só trouxe desemprego e perda de direitos) e eliminar o teto de gastos públicos (Emenda Constitucional 95/2016).

Eu pergunto: que teto o senhor defende, governador? No estado de São Paulo suas políticas estão no piso. Ou melhor: abaixo do piso. Professores da rede estadual de ensino recebem salários iniciais abaixo do piso salarial profissional nacional e sofrem um dos maiores arrochos da história. Grande parte dos funcionários das escolas recebe abaixo do salário mínimo! Na área da saúde também há salários baixíssimos.

Que teto, senhor governador, se o senhor comete uma enorme crueldade e gravíssimo crime ao confiscar os salários de nossos aposentados, que trabalharam durante muitos e muitos anos para terem uma aposentadoria digna, mas recebem baixos proventos? Agora, muitos estão passando necessidades porque o senhor, de forma desavergonhada, meteu a mão nas suas aposentadorias.

Ainda teve a cara de pau de ir à televisão para dar uma explicação absurda para esse confisco, dizendo que está pensando naqueles que não têm o que comer. O senhor está, isso sim, produzindo mais miséria ao tirar dos aposentados e pensionistas do estado de São Paulo parte de seus irrisórios vencimentos. Deveria se envergonhar e cancelar esse confisco, que se baseia em uma falsa declaração de déficit na SPPREV que nem o senhor nem seu secretário da Fazenda, Henrique Meirelles, conseguem demonstrar.

Com que moral o senhor fala em “atraso”, defendendo as medidas implementadas no governo golpista de Michel Temer e aprofundadas no governo de Jair Bolsonaro, cuja eleição o senhor apoiou em 2018, com o lema “BolsoDoria”? Não adianta agora querer se diferenciar, por razões eleitorais. Vocês são farinha do mesmo saco e defendem as mesmas políticas contra os serviços públicos e os servidores, contra os aposentados e pensionistas, contra a juventude, contra a classe trabalhadora e a população mais pobre.

O teto de gastos que o senhor defende é causador de enormes déficits nos orçamentos da educação, da saúde, da habitação, da cultura, da ciência e tecnologia, assistência social e demais políticas públicas. Ele serve para drenar dinheiro para banqueiros nacionais e internacionais, os maiores destinatários dos pagamentos de juros da dívida pública. O senhor, coerente com seu pensamento atrasado e elitista, apoia tirar recursos das áreas sociais para tornar os ricos cada vez mais ricos.

Estou do lado dos aposentados e pensionistas que o senhor está achacando e luto obsessivamente para acabar o confisco salarial. E vamos vencer.

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O ano de 2022 começou e com ele renovam-se as esperanças de que vamos virar essa página sombria da história do nosso país e do estado de São Paulo. Logo, governantes como o senhor e Jair Bolsonaro serão apenas uma sombra no passado.

*Professora Bebel é deputada estadual e líder da bancada do PT na ALESP

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**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.