Flávio Bolsonaro, afinal, falou (e pouco disse), por Chico Alencar

Em artigo para a Fórum, ex-deputado faz perguntas não feitas pelo jornal O Globo ao senador Flávio Bolsonaro; confira

Por Chico Alencar*

O senador Flávio Bolsonaro raramente dá entrevistas à grande imprensa. Aliás, os dois outros senadores do Rio – Arolde Oliveira e Romário – também não.

Mas hoje Flávio ocupou duas páginas de O Globo. Recomendo aos 4.380.498 eleitor@s – arrependidos ou não – que façam (e se façam) outras perguntas, além daquelas dos repórteres do jornal:

  • Por que empregou em seu gabinete parentes diretos de Adriano da Nóbrega, o chefão miliciano e do “escritório do crime”, a quem seu pai tanto admirava e você homenageou?
  • Reconhecer que “dava dinheiro para Queiroz pagar suas contas”, inclusive plano de saúde, não é desprezar a inteligência de quem sabe que as operações de pagamento são muito mais simples, diretas, automáticas, eletrônicas, do que essa intermediação em dinheiro?
  • Quem são seus parceiros nos empreendimentos imobiliários tão bem sucedidos? Há alguns em áreas de milícia, como levantou “Intercept Brasil”? A sua franquia da Kopenhaguen movimentar tanto dinheiro vivo fora da Páscoa não é tirar um coelho da cartola?
  • Você diz que não sabia dos “rolos” de Queiroz em seu próprio gabinete. Não é desatenção demais?
  • Você sabe até que o ex-advogado da família, Frederick Wassef, teve quatro cânceres (que, segundo você, pode tê-lo levado “a se sensibilizar com a questão de Queiroz” – com quem você afirma que nunca mais falou -, portador da mesma doença), mas não sabia que ele estava abrigando seu ex-chefe de gabinete?
  • “Campanha eleitoral é uma guerra política”, disse você. Vale tudo então, até fake news – que você diz também que “ninguém pode decidir o que é”?
  • Não é estelionato eleitoral conquistar votos apoiando a Lava-Jato e criticando a “velha política” do Centrão e, um ano e pouco depois, apoiar Aras no combate à operação e defender a aliança com os partidos agora “amigos”, às custas de cargos no governo? Em campanha criticar o Bolsa Família e agora defender sua ampliação? Condenar a “alta carga tributária” e apoiar a criação de novos impostos?
  • Próximos dos trágicos 100 mil mortos na pandemia no Brasil (equivalentes a mil explosões terríveis de Beirute!), você diz que é “distorção da imprensa” a minimização, pelo governo, da expansão do vírus. E que Bolsonaro pai, ao falar de “gripezinha”, referia-se apenas a ele (!!!), e que “não há comprovação científica de que usar máscara adianta” (!!!). Essa postura negacionista não é uma irresponsabilidade no combate à doença?

*Chico Alencar é professor, escritor e ex-deputado federal (PSOL-RJ)

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum

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