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31 de Maio de 2019, 19h09

Gleisi Hoffmann: Que PIB é esse?

Nesta semana PIB recuou 0,2% e mostrou um economia estagnada no início do governo Bolsonaro; Já em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, a economia teve leve alta de 0,5%

Foto: Gustavo Bezerra

Por Gleisi Hoffmann*

Foi divulgado esta semana o indicador do PIB (Produto Interno Bruto) referente ao 1º trimestre de 2019. Como esperado, o resultado foi negativo. Em comparação com o último trimestre do ano passado, o PIB recuou – 0,2%. Mas o que essa informação quer dizer concretamente? Que o golpe quebrou o país e que não tem como dar certo um governo que não tem projeto para o país, olha mais para fora do que para dentro do Brasil e cada vez que se pronuncia ou anuncia alguma medida só causa mais estragos. É um desastre anunciado!

Desde o segundo turno das eleições presidenciais de 2014, um dia após a reeleição da presidenta Dilma Roussef, começaram os ataques e bombardeios para derrubá-la, travar pautas no Congresso Nacional e imobilizar seu governo. Mas por quê? Se compararmos esse PIB de hoje com o mesmo período (1º trimestre) de 2014, que foi o último 1º trimestre sem a interferência das forças golpistas, a diferença fica bem clara. Vale lembrar que é preciso comparar indicadores iguais. Pois bem, esse PIB anunciado agora foi de R$ 1,713 trilhão.  Para ele ter valor equivalente ao de 2014, precisaria ter sido de R$ 1,808 trilhão, ou seja, ele é 5,55% menor do que deveria para, no mínimo, se igualar ao do mesmo período.

A fim de esgotar esse demonstrativo, vamos observar mais alguns resultados: desde que o PT assumiu a Presidência da República, o PIB veio crescendo de forma real, ou seja, descontada a inflação, o que representa riqueza de fato e aponta o poder de compra. Ele foi crescendo assim, então, até o início do golpe ou até o final do primeiro mandato da Presidenta Dilma.

A partir da fase mais agressiva do golpe, depois da derrota eleitoral do candidato tucano Aécio Neves, em 2014, a economia começou a sair dos trilhos e o PIB real foi caindo. O pior momento foi o 4º trimestre de 2016. E esse último período do ano, em geral, é um dos que têm a economia mais aquecida.

Os números por si só não contam toda a realidade. Vamos aumentar mais o campo de visão e demonstrar porque esse governo é um desastre completo. Enfrentar crise é uma coisa. Lula e Dilma passaram por crises internacionais também, mas o grande problema de agora é não ter políticas eficazes de enfrentamento e nem sequer um plano de curto, médio e longo prazos para dizer como o governo vai atuar daqui pra frente.

Não temos hoje nem seriedade e nem compromisso com o bem-estar social com esse governo que está aí! O noticiário está repleto de surtos de ignorâncias, de visões preconceituosas e de um besteirol sem precedentes na história política do Brasil. Institucionalmente, estamos fadados ao fracasso e não tem como dizer isso de uma maneira mais branda. É fato!

Cada vez que Jair Bolsonaro se manifesta sobre política externa – coisa de que não entende nada e por isso não domina – ele e seus subordinados causam um problema maior para o setor produtivo brasileiro, desde o agronegócio até a agricultura familiar.  Foi assim com suas falácias sobre o Mercosul (que é grande mercado importador de nossos produtos industrializados) ou com suas visões preconceituosas e submissas a interesses externos, que prejudicaram nossa produção de leite, de carnes, de alimentos orgânicos, entre outros setores.

Estrago feito, vão querer usar o argumento da crise para justificar sacrifícios por parte do trabalhador e desmontes de direitos, como a reforma da Previdência, que penaliza o trabalhador do regime geral (aquele que se aposenta com um salário mínimo) e que contribui para movimentar a economia local. Não mexem com privilégios, com as grandes empresas e nem com os sonegadores. A torneira dos investimentos nos municípios está secando e as políticas sociais estão sendo atingidas pela emenda constitucional 95, que congelou os recursos da saúde e da educação por 20 anos.

Distribuir renda, valorizar o salário mínimo e aumentar o poder de compra dos trabalhadores, foco das políticas do PT, trazem resultados concretos para a economia, com ou sem crise. Se Lula e Dilma tivessem adotado a política salarial de Bolsonaro de só corrigir o salário mínimo pela inflação, o salário mínimo hoje estaria em R$ 572,50 reais e não R$ 998, que já é baixo.

Os governos do PT proporcionaram aumento real e atravessaram as crises gerando empregos formais (foram mais de 20 milhões até 2014), postos de trabalho nas grandes obras estruturais, incrementando setores que foram impulsionados também, a partir de programas como o Minha Casa, Minha Vida, o crédito rural, a alimentação escolar, a compra direta de alimentos da agricultura familiar e camponesa. E ainda tínhamos o pré-sal, a Embraer, os investimentos na indústria naval etc para gerar mais segurança e fazer o país crescer e desenvolver. Tudo com soberania, sem bater continência a nenhuma outra bandeira que não fosse a nossa, do Brasil.

Por traz desse PIB anunciado, negativo, que nem consegue ser o “pibinho” – como pejorativamente chamavam os índices alcançados nos anos de governo do PT, lembrando que a média entre 2003 e 2014 de crescimento do PIB foi de 3,5% (positivo!) -, está todo esse comparativo da realidade e da seriedade com que governávamos. Esse PIB negativo, recuado, tacanho e pequeno é um símbolo de um governo que se elegeu fugindo dos debates, alimentando ódios, ignorâncias e manipulando a opinião pública com notícias falsas. Espelha a pobreza generalizada de ideias, de projetos, de diálogo, de debates e de soluções. Reflete a incompetência de gestão. E a gente bem sabe quem é que paga a conta desse desastre.

*Gleisi Hoffmann é deputada federal pelo Paraná e presidente nacional do Partido dos Trabalhadores


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