Mudança no Google pode prejudicar pequenas e médias empresas – Por João Cassino

Apesar de divulgadas as diretrizes gerais de funcionamento, como o algoritmo de fato opera ainda continua um mistério

Por João Cassino *

Em maio de 2021 o Google deve atualizar mais uma vez seu algoritmo de buscas. Boa notícia? Depende para quem. Toda vez que isso acontece, apesar de prováveis melhorias para os usuários do serviço, há terremotos na audiência de sites e portais em todo o mundo. Muito das vendas online depende do ranqueamento das páginas de resultados da gigante norte-americana.

Quando alguém digita uma palavra-chave, seja ela qual for, no campo de buscas do Google, são exibidas algumas opções. Aquelas primeiras três, quatro ou cinco que surgem no topo da lista terão mais chances de serem clicadas pelos internautas, potencializando seus números de visualização. Quem aparecer mais, tem mais atenção e, logo, vende mais.

De tempos em tempos, o Google promove mudanças nos seus algoritmos. Natural que uma das maiores empresas de tecnologia busque sempre a inovação, o que é essencial para manter-se dentre as mais poderosas do setor. Principalmente quando a comercialização de publicidade é uma das mais importantes fontes de receita. Segundo a revista Forbes, a estimativa é que a receita de anúncios digitais da empresa, somente nos Estados Unidos, giraria em torno de US$ 39,5 bilhões em 2020.

Some-se o fato de que as pesquisas são personalizadas conforme o perfil de cada usuário. A palavra “fazenda” pode levar ao Ministério da Economia, a um reality show televisivo ou a uma corretora de imóveis rurais. Depende de quem procura, de seus interesses pregressos na rede. O algoritmo tentará adivinhar o que se quer.

De acordo com um blog oficial do Google (developers.google.com), em maio de 2021 serão adotados novos indicadores de experiência. Combinarão as principais métricas da web com indicadores de pesquisa já existentes, tais como compatibilidade com dispositivos móveis, navegação segura e diretrizes para anúncios intrusivos.

Para produtores de sites, o Google recomenda o conhecimento de ferramentas “vitais” (web.dev/vitals-tools) que garantiriam qualidade para se entregar ao usuário “uma melhor experiência” na Internet. Na prática, ensinam como os webmasters e webdesigners devem preparar suas páginas para facilitar o trabalho do algoritmo de buscas.

Claro que a maioria das pequenas e médias empresas não têm profissionais capacitados para preparar seus negócios para um melhor ranqueamento nas pesquisas. Com isso, abre-se espaço para prestação de serviços de marketing digital e consultorias especializadas. Mais grave é que esta mudança ocorrerá durante a pandemia de Covid-19, quando boa parte dos comércios locais tem duramente se mantido por meio de entregas.

As mudanças bruscas na forma como o algoritmo do Google posiciona os resultados fatalmente beneficiará algumas empresas e prejudicará outras. Apesar de divulgadas as diretrizes gerais de funcionamento, como o algoritmo de fato opera é um mistério, ou melhor, um segredo de negócios da corporação, guardada a sete chaves, assim como a Coca-Cola faz com a fórmula de seu refrigerante.

*João Cassino é jornalista, doutorando e mestre em Ciências Sociais.

**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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João Cassino

Jornalista, doutorando e mestre em Ciências Sociais.