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04 de março de 2020, 23h35

O PIBinho e a república das bananas de Bolsonaro, por José Guimarães

"Esse programa neoliberal não vai nos levar a canto nenhum. Ao contrário, vai aprofundar disparidades e acentuar a pobreza"

Bolsonaro e Paulo Guedes - Foto: Marcos Corrêa/PR

Por José Guimarães*

O palco da política brasileira encenou mais uma tragédia roteirizada por Bolsonaro e Guedes. O radicalismo ideológico neoliberal do atual governo, que se elegeu com a promessa de revolucionar a economia e nos colocar em pé de igualdade com as grandes nações, apresentou, nesta quarta (4), o resultado de um desempenho pífio. O Produto Interno Bruto, em 2019, alcançou apenas 1,1%, o pior resultado dos últimos três anos.

Para desviar o foco de mais um fracasso do seu desgoverno, o presidente foge da responsabilidade que possui levando, a tiracolo, um comediante que o imita e distribui bananas para jornalistas. Estamos falando de um presidente sem noção do compromisso que tem em mãos e que faz piada das instituições, como estratégia para esconder o desgaste econômico e os escândalos que envolvem membros de sua família miliciana.

Onde falta preparo, sobra descaso. A economia brasileira, na UTI, apresenta sintomas que escancaram a falta de competência de Guedes. O desemprego atinge níveis alarmantes, o país volta ao Mapa da Fome, a fila no INSS só aumenta e a perda de direitos são duros golpes de uma nefasta política neoliberal e de esfacelamento de conquistas alcançadas pelos governos de esquerda.

Estamos falando de um cenário com 11,9 milhões de desempregados e 40,7% da população ocupada submetida à informalidade. A chamada “uberização dos empregos”, propagada como um salto qualitativo da massa empreendedora, nada mais é do que a validação de um modelo de trabalho precário, com baixas remunerações e nenhuma assistência ao trabalhador.

A precarização iniciada por Temer na Reforma Trabalhista encontra, em Guedes, o auge da sua manifestação. Entregues à informalidade, milhões simplesmente desistem de procurar empregos formais. A inatividade bateu recorde: são 65,7 milhões de pessoas desacreditadas na chance de uma oportunidade para melhorar de vida.

Há um evidente descompasso. Enquanto bancos anunciam lucros vultosos, 1,5 milhão de famílias aguardam repasses do Bolsa Família e dois milhões de pessoas esperam, sem resposta, pelos benefícios que deveriam ser concedidos pelo INSS. O desalinho entre poderosos e os mais pobres torna-se cada vez mais evidente e mostra o quanto a concentração de renda aumentou desde que Bolsonaro assumiu.

A atual política econômica visa à demolição do Estado brasileiro. Não garante direito aos pobres, não reduz a desigualdade, não combate à fome e não retoma o desenvolvimento do país. O radicalismo ideológico neoliberal de Bolsonaro vai na contramão da nossa luta por direitos, empregos e redução da desigualdade.

Com Lula, tudo era bem diferente. Crescemos 7,5% em 2010 e ocupamos a 6ª posição no ranking global das economias medido pelo PIB em dólar. Chegamos a desbancar gigantes como a Grã-Bretanha. Com o Bolsa Família, os índices de pobreza extrema foram reduzidos e alcançamos uma melhora no IDH medido pela ONU. O programa foi considerado exemplo para todas as nações, melhorando a nossa imagem no exterior e favorecendo a qualidade de vida dos mais pobres.

Culpar o PT por um PIB que se revelou menor que o de Temer, que já era medíocre, nunca fez sentido. Tamanho desequilíbrio obstrui o setor de serviços e evidencia que não faz sentido operacionalizar reformas que tiram direitos dos mais pobres e perpetuam os lucros de uma minoria. Esse programa neoliberal não vai nos levar a canto nenhum. Ao contrário, vai aprofundar disparidades e acentuar a pobreza.

*José Guimarães é advogado, deputado federal e vice-presidente nacional do PT

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum


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