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10 de julho de 2019, 23h34

Opinião: Por que não gosto da deputada Tabata Amaral

Para psicanalista, "é possível deduzir o que a deputada quer e de qual lado está"

Por Evaristo Magalhães*

Não gosto de pessoas assépticas demais com as palavras. Não me convence quem fala só com a mente e esquece do corpo. Não me convence quem fala e, no final, todo mundo gosta só porque fala bonitinho.

Sinceridade – para mim – vem com tudo: palavra, emoção, gaguejo, lapsos, atos falhos, gestos, olhos estatelados, engasgos e lágrimas. Sinceridade – para mim – tem história, comprometimento, base, luta e dor com e para o outro.

A verdade é mais a vontade de dizer a verdade que a própria verdade. A verdade é quando tentamos dizer e não conseguimos – porque toda a verdade não existe. A verdade é quando queremos dizer da dor do outro – que é incomensurável. É quando queremos falar para milhões – o que é muito difícil. A verdade é quando estamos em pânico porque é muito desesperador o que queremos dizer. A verdade é quando queremos e não conseguimos colar as palavras aos fatos. O tom da verdade é proporcional à gravidade do que se quer ver dito.

Essa tal de Tabata é o contrário disso tudo. Não gostei dessa moça desde a primeira que a vi abrir a boca.

Ela não muda o tom quando fala. Falta-lhe visceralidade. Falta-lhe vida. Falta-lhe indignação. Sobra-lhe controle. Sobra-lhe jogo de sedução. Sobra-lhe narcisismo.

Ela não parece falar do Brasil quando discursa. É por isso que ela nunca se coloca. Aliás, ela se coloca sim, mas como a bonitinha e a inteligente que todo mundo gostaria de ser. Como a filhinha que a nossa classe média hipócrita gostaria de ter.

Nunca me convenceu seu discurso de pobrezinha da periferia que ganhou uma bolsa para estudar em escola de rico e depois em Havard. Penso que ela usa o seu discurso de periférica para engabelar os periféricos, mas coloca-se como a menininha certinha que agrada as elites.

Essa menina nunca foi periférica. Nunca a vi se colocar como exceção. Ela primeiro se vitimiza: diz de seu sofrimento, para depois dizer de seu esforço e de sua superação. Ela só fala de si. Nunca a vi defendendo a sua história sendo repetida por milhões. Ela é um fenômeno midiático. Parece um robozinho. Parece produzida por alguém que tem interesse nela como algo – superficialmente – novo e que engloba – falsamente – o todo.

Pelo seu comportamento, pelo tom de sua voz e pela sua postura, é possível deduzir o que ela quer e de qual lado está. Ela faz o tipo bonitinha, mas ordinária.

Essa menina é um tipo de produto do capitalismo que me assusta muito. Ela parece um Collor de Melo, porém sendo construída aos poucos.

*Evaristo Magalhães é psicanalista.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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