Entrevista exclusiva com Lula
06 de novembro de 2019, 16h25

Um governo criminoso, por Paulo Pimenta

O ministro da Justiça age como um marginal ‘capo’ de quadrilha, ao utilizar uma instituição do Estado, outrora respeitada, a Polícia Federal sob seu comando, para forjar provocações contra os opositores políticos do governo

Foto: Reprodução/Facebook

Por Paulo Pimenta*

Em 300 dias de governo do ex-capitão a agenda visível do país foi rebaixada ao registro de um porão de delegacia de polícia. Tratamos diariamente de: delações, roubo de provas, destruição de evidências de crime, foragidos da justiça que interferem em nomeações no Palácio do Planalto e no Parlamento, gravações de entrada e saída de milicianos em condomínios de luxo, alterações na cena do crime, obstrução da justiça, manobras para protelar o esclarecimento de dois assassinatos ocorridos a mais de um ano e meio, que acaba por bater à porta do presidente da República. O Brasil definitivamente mergulhou no submundo da vulgaridade fascista.

A agenda substantiva, cuidadosamente maquiada pelos meios de comunicação convencionais, vai avançando sem maiores tropeços: destruição das Leis trabalhistas garantidas na CLT; Reforma da Previdência, leia-se liquidação da Previdência Pública no Brasil; entrega da Base de Alcântara para os EUA; venda do Pré-sal que se consumiria com o grande leilão que, segundo a Folha de S. Paulo, “pode inaugurar a ‘era de ouro’ do petróleo brasileiro”, cabe perguntar: em benefício de quem? ; fatiamento do complexo Petrobras para destruir a maior empresa do país, uma das maiores petroleiras do mundo; venda da Eletrobrás com perda do controle público sobre o sistema elétrico estratégico para do país. Tudo como se uma catástrofe dessas dimensões estivesse dentro da normalidade.

Para as elites brasileiras, o governo Bolsonaro realiza o sonho longamente acalentado de liquidação de um projeto nacional de desenvolvimento autônomo. O incômodo se dá apenas por suas esquisitices…: estímulo ao desmatamento na Amazônia; universidades e centros de pesquisa estrangulados pelos cortes de investimentos; omissão criminosa diante do vazamento de óleo no litoral do Nordeste que já compromete 80% da atividade pesqueira na região; censura aberta à produção cultural independente do país; e, ainda, a cada vez que emerge aqui e ali a mão amiga do Queiroz, voltam os arreganhos dos filhos com ameaças de um novo AI-5 ou o pedido de prisão preventiva contra a ex-presidente Dilma Rousseff em um inquérito em que ela não é investigada. O ministro da Justiça age como um marginal ‘capo’ de quadrilha, ao utilizar uma instituição do Estado, outrora respeitada, a Polícia Federal sob seu comando, para forjar provocações contra os opositores políticos do governo, assim como fez com o judiciário quando era juiz da 13ª Vara de Curitiba e comandava, em conluio com procuradores, a Operação Lava Jato.

Hoje se consuma um crime de lesa-pátria. O governo de direita liderado por Bolsonaro vende no leilão do pré-sal o futuro do Brasil como nação soberana. Os responsáveis por esse crime responderão perante a sociedade e a história.

*Paulo Pimenta (PT/RS) é líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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