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22 de janeiro de 2020, 22h35

Uma análise da pesquisa CNT favorável a Bolsonaro, por Vinicius Wu

Bolsonaro e Lula seguem polarizando a política nacional e o resto é o resto. Abaixo dos dois só há nanicos

Foto: Isac Nóbrega/PR

Por Vinicius Wu*

Sobre a pesquisa CNT divulgada hoje:

1. Se Bolsonaro seguir definindo a agenda e os termos do debate público (e se houver alguma melhora na economia) chegará em 2022 como franco favorito. Seus índices de aprovação (34,5% de avaliação positiva) já se aproximam dos de Lula (43,6% em 2006) e de Dilma (41% em 2014) e superam o de FHC (32% em 1998) em anos de reeleição. Claro que tem muito tempo até 2022, mas…

2. A memória negativa do Governo Dilma segue sendo um grande problema para a esquerda e, em especial, para o PT. 40,1% já identificam “melhorias” em relação aos governos anteriores e apenas 24,7% “percebem pioras”. Ou seja, o patamar é muito rebaixado e qualquer coisa será vista como um avanço em relação ao que antecedeu Bolsonaro. Ao mesmo tempo, a memória do governo Lula vai ficando em um passado distante;

3. Nas áreas da Segurança e Combate à corrupção, outro problema para a esquerda. Em relação a estes dois temas, que foram decisivos nas eleições de 2018 e com os quais a esquerda encontra enormes dificuldades em dialogar com a maioria da população, já se esboça uma percepção de melhora: 46% já consideram que há melhoria no “combate à corrupção”, a despeito de todo o noticiário sobre Queiroz, Laranjas, Flavio Bolsonaro etc. e apenas 18,5% acham que a segurança pública está “pior” do que antes. Claro que há muito de expectativa e de “voto de confiança” no novo governo, mas são dados que deveriam preocupar as lideranças de esquerda e suscitar uma boa reflexão;

4. Houve melhora da avaliação do governo em todos os estratos sócio-econômicos e também em todos os segmentos por idade, renda, escolaridade, religião e região, o que pode indicar uma tendência de melhora, mesmo após um ano turbulento e de inúmeros conflitos. Uma parte significativa da população parece irredutível em seu apoio ao governo e, a partir dessa base orgânica, se esboça uma expansão da base de apoio. A conferir nas próximas pesquisas;

5. Em relação às intenções de voto, claro que é muito cedo para concluir qualquer coisa, mas Bolsonaro e Lula seguem polarizando a política nacional e o resto é o resto. Abaixo dos dois só há nanicos. E como Lula não deve concorrer em 2022 (a lei da ficha limpa o impede), Bolsonaro, hoje, poderia até pensar numa reeleição em primeiro turno.

Desde uma perspectiva democrática e humanista, a situação é mesmo desesperadora…

*Vinicius Wu é Mestre em Comunicação Social pela PUC-Rio


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