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02 de maio de 2019, 08h37

Desembargador do TJMG negocia cargos fantasmas para mulher e filho: “Fica com uma bundona na janela danada”

Alexandre Victor de Carvalho, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), é flagrado em áudios negociando cargos públicos fantasmas para o filho, Guilherme Souza Victor de Carvalho, e a mulher, Andreza Campos Victor de Carvalho

O desembargador do TJMG, Alexandre Victor de Carvalho, no detalhe, em foto com a mulher, Andreza Campos Victor de Carvalho (Reprodução)
Reportagem de Fábio Fabrini, na edição desta quinta-feira (2) da Folha de S.Paulo, revela que interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal mostram o desembargador Alexandre Victor de Carvalho, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), negociando cargos públicos fantasmas para o filho, Guilherme Souza Victor de Carvalho, e a mulher, Andreza Campos Victor de Carvalho. Na negociação para vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (Alemg) com o então procurador-geral, Augusto Mário Menezes Paulino, o magistrado recebe alerta sobre possível nepotismo cruzado. “Você acha que vale a pena arriscar?”, questiona o desembargador. “Acho que não, viu? Fica com uma...

Reportagem de Fábio Fabrini, na edição desta quinta-feira (2) da Folha de S.Paulo, revela que interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal mostram o desembargador Alexandre Victor de Carvalho, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), negociando cargos públicos fantasmas para o filho, Guilherme Souza Victor de Carvalho, e a mulher, Andreza Campos Victor de Carvalho.

Na negociação para vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (Alemg) com o então procurador-geral, Augusto Mário Menezes Paulino, o magistrado recebe alerta sobre possível nepotismo cruzado. “Você acha que vale a pena arriscar?”, questiona o desembargador. “Acho que não, viu? Fica com uma bundona na janela danada”, responde o então procurador-geral.

Apesar do risco alegado, os planos seguem adiante e o desembargador emplaca a mulher na Assembleia depois de, segundo as investigações, tratar do assunto em uma reunião com o então presidente do Legislativo mineiro, Adalclever Lopes (MDB). “Ela vai, o salário seria melhor e eu estaria precisando botar o Gui [filho] aí na Câmara”, diz o magistrado ao então procurador-geral.

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Nos diálogos, o desembargador indica que os parentes não cumpririam as cargas horárias. “Augusto [Paulino] falou que você indo duas ou três vezes por semana, vai te apresentar aos vereadores, correr com você lá. [É] pra você ficar umas duas três horas por dia, o horário que você puder”, afirmou o magistrado ao filho em 11 de novembro de 2015.

O filho do desembargador foi nomeado em dezembro de 2015, com salário de R$ 9.300, e exerceu cargo de coordenador de Intermediação Operacional.

Também em 11 de novembro, o desembargador avisa a esposa que já estava certa a sua nomeação na Assembleia, com salário líquido de R$ 8.000, e avisa ser uma vantagem a falta de fiscalização de promotores sobre o cumprimento da jornada de trabalho.

“É bom. Inclusive, na Assembleia não tem problema, na Assembleia o Ministério Público não faz nada. Você vai lá duas, três vezes por semana.”

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