Requião: “Lula é o mais viável, mas sem Meirelles, Joaquim Levy e Nélson Barbosa”

O ex-governador do Paraná disse ao programa Fórum Onze e Meia: “nós temos que abrir caminhos para que o processo civilizatório brasileiro se desenvolva. E esse caminho não passa por aliança com empregados do mercado financeiro”

O ex-governador do Paraná, Roberto Requião, está de saída do MDB, que ajudou a fundar. Ele diz que vai pra algum partido que seja da esquerda, ainda não sabe qual. O ex-governador disse ainda, em entrevista ao programa Fórum Onze e Meia, nesta terça-feira (3), que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o candidato viável “pra derrubar isso tudo”.

Requião, no entanto, deixa bem claro que “se for outra vez com Meireles, Joaquim Levy e Nélson Barbosa, me perdoe, eu estou fora disso”. Ele diz que quer “um desenvolvimento sustentável pro Brasil, um projeto pra agricultura sustentável, valorização do trabalho, reestabelecimento da soberania e um projeto nacional, que acabe com essa história de Banco Central independente, com essa bobagem de conta vinculada no Banco Central, pras instituições financeiras não precisarem baixar juros”, alerta. “Eu tô conversando com os partidos. Almoço quinta-feira com o Lula em São Paulo. Minha conversa com o Lula você pode imaginar o que é. Eu vi o Lula dizer outro dia que ia transformar o Banco do Brasil em empresa de economia mista. Isso é doar o Banco do Brasil pra Bolsa de Nova Iorque. Submeter o nosso banco nacional à Justiça americana”.

Ele lembra, no entanto, que “o PT não é isso, o PT decididamente não é isso. Eu estou fazendo provocações aos partidos, porque o meu sonho era termos uma candidatura única à Presidência da República neste momento, para um governo de transição. Um governo que não fosse covarde o suficiente para se submeter a uma frente ampla, que é uma derrota total, mas não fosse tão ousado e temerário a propor coisas que podem prejudicar o processo eleitoral que não são sustentáveis depois”.

Segundo Requião, “nós temos que abrir caminhos para que o processo civilizatório brasileiro se desenvolva. E esse caminho não passa por aliança com empregados do mercado financeiro. Nós temos que ter um programa, que deve ser moderado, inteligente, não temerário nem pelo excesso nem pela covardia da frente ampla, mas um programa que possa unir o Brasil. E em torno desse programa podemos aceitar qualquer tipo de adesão”.

“Eu acho que hoje, candidato viável à Presidência da República, pra derrubar isso tudo, é o Lula. Mas não é pra derrubar o Bolsonaro. É pra derrubar o liberalismo econômico. Se for outra vez com Meireles, Joaquim Levy e Nélson Barbosa, me perdoe, eu estou fora disso”, exclamou.

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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