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27 de setembro de 2017, 15h47

“Dia triste para Minas Gerais”, diz governador Pimentel sobre leilão da Cemig

Desmonte: O Governo Federal vendeu quatro hidrelétricas que até então eram operadas pela estatal à empresas estrangeiras. Valor da venda foi de R$12 bilhões, mas empresas vão lucrar mais que o triplo, cerca de R$40 bilhões. Custo da tarifa de energia em MG deve subir Por Redação “Hoje é um dia triste para Minas Gerais”. Assim o governador Fernando Pimentel (PT) iniciou o seu pronunciamento sobre o leilão do governo federal que vendeu as quatro hidrelétricas mineiras operadas pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) à empresas estrangeiras. Para trabalhadores e especialistas do setor elétrico, trata-se do início do desmonte...

Desmonte: O Governo Federal vendeu quatro hidrelétricas que até então eram operadas pela estatal à empresas estrangeiras. Valor da venda foi de R$12 bilhões, mas empresas vão lucrar mais que o triplo, cerca de R$40 bilhões. Custo da tarifa de energia em MG deve subir

Por Redação

“Hoje é um dia triste para Minas Gerais”. Assim o governador Fernando Pimentel (PT) iniciou o seu pronunciamento sobre o leilão do governo federal que vendeu as quatro hidrelétricas mineiras operadas pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) à empresas estrangeiras. Para trabalhadores e especialistas do setor elétrico, trata-se do início do desmonte deste setor no país já que há planos de leilão e privatização, aos mesmos moldes da Cemig, para a Eletrobrás.

O leilão foi realizado na manhã desta quarta-feira (27) e as quatro usinas, Jaguara, São Simão, Miranda e Volta Grande que, juntas, têm capacidade de gerar 2.922 MegaWatts (MW) de energia, foram vendidas a um valor total de R$12,13 bilhões. O maior negócio ficou com a Pacific Hydro, do grupo chinês State Power Investmente (Spic), levando a usina de São Simão por R$ 7,18 bilhões.

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O objetivo do governo com a venda é arrecadar dinheiro para bater a meta fiscal de 2017. Acontece que, ao tentar apagar o fogo da crise econômica, além de fazer o Brasil perder parte de sua autonomia no setor elétrico, entrega importantes operações à preço de banana. O lucro que essas empresas devem ter no período de outorga é mais que o triplo da venda: aproximadamente R$40 bilhões.

O leilão das usinas poderia ter sido evitado em outras ocasiões, mas quem estava à frente da empresa e do governo de Minas Gerais eram tucanos como os que, em 2012, se recusaram, por interesses políticos, a aceitar a proposta da ex-presidenta Dilma Rousseff para renovar as concessões, a MP 579, o que evitaria que a empresa entrasse nessa situação de vulnerabilidade que facilitou os leilões.

O governo federal e as empresas comemoram o leilão. Mas só eles. Além do lucro que o Brasil deixa de arrecadar com a operação da usinas, a venda prejudicará diretamente os mineiros, já que as novas operações devem culminar no aumento da tarifa de energia. O mesmo deve acontecer a nível nacional com o futuro leilão da Eletrobras.

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“O tempo dirá se a decisão foi positiva para o Governo Federal. Par Minas Gerais, com certeza não foi”, disse Pimentel.

Os últimos dias foram marcados por protestos de trabalhadores e tentativas de parlamentares da oposição ao governo federal de tentar barrar o leilão. Na foto de destaque, funcionários da estatal fazem abraço simbólico no prédio da empresa contra a venda às companhias estrangeiras.

Confira a íntegra do comentário do governador.

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