Crimeia e o enterro do sonho norte-americano de supremacia mundial

O mundo é muito mais complexo do que essa representação primitiva às quais os políticos ignorantes e arrogantes têm sobre a situação. Na realidade, não apenas os EUA carregam sozinhos a responsabilidade pelo caos atual na Ucrânia, como também são os únicos responsáveis por atingir o completo oposto do que tencionavam conquistar no início

Por The Vineyard of the Saker | Tradução: Vinicius Gomes

A principal coisa a se entender sobre a política externa norte-americana é que ela é basicamente gerenciada por pessoas que não têm nem experiência e nem entendimento do que é diplomacia e seus propósitos.

Não é apenas a secretária-assistente, Victoria Nuland e seu famoso “F*** a União Europeia” – é também o secretário de Estado, John Kerry e suas constantes mentiras e desmentiras; é a assessora de segurança nacional, Susan Rice, com suas ameaças arrogantes e sempre belicosas contra a Rússia e outros países e, finalmente, é o próprio Barack Obama, que combina um excesso de confiança imperial com um fenomenal nível de hipocrisia

A própria noção básica de negociar qualquer coisa é profundamente desconhecida para esses líderes imperiais que acreditam piamente que se sentar para uma negociação verdadeira é, basicamente, um sinal de fraqueza. Para eles, a única coisa que pode ser negociada é a aceitação do outro quanto a todos os termos e condições norte-americanos. E se isso não acontecer, então os EUA irão simplesmente ameaçar com bombas até que esse outro lado se submeta.

Distantes são os dias de James Baker, secretário de Estado do primeiro George Bush, que compreendia o quanto uma diplomacia cautelosa nas negociações podia alcançar. A geração Kerry/Rice, ao contrário, acredita que eles podem dizer a todos os outros o que eles querem e, se isso não funcionar, então a força bruta (fatual ou apenas na ameaça) irá resolver o problema. É por isso que essa geração dos EUA nunca concordou em negociar com a Líbia de Qadaffi ou a Síria de Assad, e é por isso que todas as ofertas feitas por parte da Rússia, a fim de encontrar uma solução negociada, eram sistematicamente rejeitadas.

A Rússia se ofereceu para negociar desde o final do ano passado, quando os primeiros sinais de crise iminente começaram a se tornar aparentes. O embaixador russo na ONU, Sergei Lavrov, propôs uma negociação trilateral entre União Europeia, Ucrânia e Rússia. Os europeus, seja sob ordens dos EUA ou agindo por conta própria em sua ilusória auto-concepção de grandeza, rejeitaram insultados tal opção sob o pretexto de que a Ucrânia era um país soberano, assim sendo, a Rússia tinha tanto a dizer sobre o futuro do país tanto quanto o Paraguai ou o arquipélago de Vanuatu.

Pior, a UE fingiu acreditar que o governo ucraniano assinaria os termos e condições em um texto de 1.500 páginas sobre a associação UE/Ucrânia – nos quais a Rússia ficaria silenciosa. Exceto, claro, quando eventualmente ficou claro para o primeiro-ministro e o presidente da Ucrânia, Mykola Azarov e Viktor Yanukovich, respectivamente, que a Rússia realmente não tinha outra opção a não ser fechar suas fronteiras comerciais para proteger a economia russa de um dilúvio de produtos europeus que inevitavelmente inundariam a Ucrânia.

Quando no último segundo o presidente ucraniano voltou atrás no plano, a Rússia novamente se ofereceu para negociar e, novamente, foi rejeitada. Alguns burocratas europeus aparentemente ainda acreditavam que Yanukovich iria ceder a eles na conferência em novembro de 2013. Mas ele não o fez, simplesmente porque não podia fazê-lo sem assassinar toda a economia da Ucrânia. Foi então que os EUA ficaram subitamente histéricos, pois entendiam que um “não” para a UE, mesmo que temporário, era um “sim” para a Rússia e possivelmente um “sim” permanente. Então, o Tio Sam se envolveu pessoalmente.

O sonho morreu, ao menos por ora, na praia…da Crimeia 

Esses foram os resultados oficiais do referendo na Crimeia:

  • 96,77% votaram para a Crimeia se unir à Rússia
  • 02,51% votaram para a Crimeia se manter uma república soberana e autônoma dentro da Ucrânia
  • 00,72% dos votos foram declarados inválidos
  • 83,10% dos eleitores participaram do referendo (ou seja: 16,9% não votaram)

Como lembrete, esse é o quadro étnico oficial da Crimeia (em 2001):

  • 58,32 % Russos
  • 24,32% Ucranianos
  • 12,10% Tártaros

Certo, o que isso significa? Primeiramente e mais importante: a participação foi massiva e o “sim” para a Rússia ganhou de “lavada”.

Segundo, essa não foi uma votação que seguiu linhas étnicas. Quando é dito que 58,32% na Crimeia são russos, isso não significa que todos esses são eleitores – afinal, crianças não votam. Então, o número real dos russos que podem votar na Crimeia está abaixo de 50% e, mesmo assim, os resultados mostram que 96,77% desses eleitores escolheram se unir à Rússia.

De onde vêm os outros cerca de 40%? Eles têm de serem votos dos ucranianos e dos tártaros. Mesmo que se suponha que 100% dos russos fossem eleitores válidos e que todos eles tivessem comparecido ao referendo e que todos eles tivessem escolhido “sim” para a Rússia, isso ainda deixa um percentual de 35,45% de votos “sim” para os não-russos. Até mesmo os 100% dos ucranianos não preenche o vácuo. Ou seja, o suposto “boicote tártaro” nesse referendo é uma completa fabricação da mídia ocidental.

Isso faz levantar uma questão: por que os tártaros na Crimeia – que foram brutalmente oprimidos e deportados sob o regime de Stalin e, muitos deles foram vistos gritando “Alá Seja Louvado” em conflitos com manifestantes pró-Rússia – decidiram repentinamente votar a favor da Rússia?

Eles decidiram subitamente mudar de ideia? Eles foram forçados a votar sob a mira de um revólver? É claro que não. A explicação é muito mais simples: em 22 anos de independência, a Ucrânia não fez absolutamente nada para proteger os direitos do povo tártaro, assim como seu idioma e cultura, sem mencionar uma compensação por todo o seu sofrimento. Em contraste, a Rússia aprovou uma lei chamada “Lei de Reabilitação dos Povos Reprimidos”, em 1991, a qual resolve, basicamente, os problemas dos tártaros da Crimeia que conseguirão tudo o que eles sempre viam como seus de direito, assim como novos passaportes russos.

Obviamente, existem os tártaros que preferiam continuar sobre a soberania ucraniana, por acreditarem que os russos são capazes de repetir as ações de Stalin a qualquer momento e que o nacionalismo russo é uma ameaça para eles. No entanto, eles representam uma minoria de uma minoria – ou seja, praticamente irrelevante. A realidade crua é que todo esse “problema tártaro na Crimeia” foi alimentado pelo Ocidente, em uma tentativa desesperada para encontrar algum “sustentáculo étnico/religioso” para invalidar a legitimidade do referendo e insuflar problemas étnicos. Os resultados mostram claramente que o plano falhou.

O que esperar em seguida então?

A Ucrânia está morta, vida longa ao “Banderastão”?

O que é exatamente o “Banderastão”?

“Banderastão” é a Ucrânia que Dmitry Iarosh, Andrei Parubii ou Oleg Tiagnibok querem crier: um Estado “nacional-socialista”, cujo princípio fundador seria “Бий жидів та москалів – Україна для українців” (“espanquem os judeus e os russos – a Ucrânia para os ucranianos). Claro e simples. Esse Estado teria apenas um idioma (ucraniano), um grupo étnico (ucraniano), um líder (Iarosh) e um pai-fundador (Stepan Bandera – o maior colaborador nazista durante a Segunda Guerra Mundial)

No entanto, tal projeto tem chance zero de vir a tomar vida, por uma simples razão: o trabalho de governar, ou de fato, reconstruir um país falido e arruinado, não se resume apenas a fazer paradas de rua vestido em uniformes pseudonazistas, tomar dinheiro dos EUA, lutar contra policiais e gritar “Glória à Ucrânia! Glória aos heróis!”. Para todos os usos práticos, o projeto inteiro dos nazistas da extrema-direita para o Banderastão está em queda livre, por mais que os líderes ocidentais teimosamente finjam em não enxergar esse fato. Quanto aos empréstimos ocidentais (EUA, União Europeia, FMI) – ele irão apenas adiar o inevitável.

A política externa de dominação global dos EUA…e a Ucrânia…

O objetivo máximo da política externa dos EUA ao redor do mundo é extremamente simples: permanecer como a única superpotência do planeta. O fato é que há cada vez mais sinais que claramente apontam para o fato de que os EUA não são mais uma verdadeira superpotência global apenas torna esse objetivo cada vez mais prioritário.

Nesse contexto, os EUA possuem uma estratégia igualmente simples: fazer o que for necessário para evitar que a Rússia se torne em uma nova “União Soviética” ou qualquer outro tipo de desafiante à dominação mundial dos EUA. Em termos práticos, isso significa uma coisa: fazer o que for preciso para separar a Ucrânia da Rússia. Existe, de fato, uma noção bizarra entre a elite norte-americana que com a Ucrânia, a Rússia seria uma superpotência e, sem ela, não. Essa noção é tanto contrafactual (a Rússia já é uma superpotência, como vimos na Síria) e ilógica – a Rússia não precisa e nem quer a Ucrânia para si, pois o país é tanto falido como artificial, controlado pelas oligarquias e sem muito a contribuir para a atual riqueza russa.

Em termos puramente realpolitk, a Ucrânia é uma dor de cabeça que ninguém na Rússia precisa. Mas deixando isso de lado – a elite dos EUA está agindo baseados não nas percepções russas, mas sim em suas próprias percepções: a Ucrânia não pode nunca mais cair sob influência da Rússia, ou os russos voltarão a ser uma superpotência.

Partindo dessa lógica, a estratégia implantada tem duas regras simples:

a) qualquer força anti-Rússia, não importa o quão horrenda ou insana, ganha apoio

b) é um jogo de soma zero: qualquer coisa que a Rússia perder, os EUA ganham; e vice-versa

O prêmio máximo para os norte-americanos seria o de ver a Frota Russa no Mar Negro sendo expulsa da Crimeia e então colocar bases dos EUA/OTAN na Ucrânia. Assim sendo, qualquer coisa para manter um regime anti-Rússia em Kiev é a melhor opção. Se acontecer de ter que colocar esse regime através de uma inssurreição armada – tudo bem; se todos os cargos chaves do novo regime foram entregues a neonazistas – tudo bem também. Nada disso importa muito desde que os russos não peguem a Ucrânia de volta.

Obviamente, o mundo é muito mais complexo do que essa representação primitiva às quais os políticos ignorantes e arrogantes têm sobre a situação. Na realidade, não apenas os EUA carregam sozinhos a responsabilidade pelo caos atual na Ucrânia, como também são os únicos responsáveis por atingir o completo oposto do que tencionavam conquistar no início.

Como a incompetência dos EUA resultou em um “efeito dominó patriótico” nos russos

O que realmente aconteceu é que durante os últimos meses, a maioria russa na Ucrânia que estava passiva até então, passou por uma brutal “terapia de choque” que a fez acordar de seu torpor silencioso induzido por 22 anos de propaganda ucraniana nacionalista – combinada com o silêncio ensurdecedor vindo de Moscou.

Esses russos, anteriormente invisíveis, subitamente despertaram. Como isso aconteceu?

Primeiramente com o show de aberrações nazistas ao reder da Praça Maidan em Kiev que se escalou até uma situação de insurreição armada. Em seguida, quando Yanukovich foi finalmente deposto, a primeira grande decisão do novo regime foi aprovar uma lei banindo o idioma russo do uso oficial no país e retirar a proibição de propaganda nazista. Simultaneamente, uma série de violentos ataques contra “colaboradores” do regime de Yanukovich, logo se transformou em uma campanha de terror contra a Rússia. E então, pela primeira vez, os russos-ucranianos realmente passaram a temer por seu futuro: eles passaram a se organizar e se manifestar publicamente em protestos.

Logo, isso ativou um ressentimento pela situação de muitos russos dentro da Rússia, que até então acusavam seus compatriotas de passividade. Foi então que a população do leste e do sul da Ucrânia finalmente tomou as ruas, dessa vez não com bandeiras no azul-amarelo ucraniano, mas no vermelho, azul e branco russo. As pessoas na Rússia viram isso e passaram a olhar para o vizinho com outros olhos.

Por uma série de razões objetivas, a Crimeia foi, de longe, a mais relevante dentro do movimento de protesto contra o novo regime em Kiev, não sendo surpresa nenhuma que o próximo grande passo nesse impasse acontecesse lá. O serviço de inteligência da Rússia já havia detectado uma espécie de golpe de Estado se aproximando e o Kremlin tomou a decisão crucial de enviar os soldados não-fardados, um eufemismo para sua versão de forças especiais do exército, os Spetsnaz.

O que exatamente os russos detectaram não é muito claro, mas o que é certo é que a maneira pela qual esses soldados desembarcaram na Crimeia não é o que aconteceria em situações normais de tempos de paz e sim em uma operação militar em tempos de guerra: rapidamente, disfarçados, com forte apoio de fogo e locais chaves que pudessem garantir um subseqüente desembarque de novas tropas. O envio de soldados da noite para o dia aparentemente impediu o golpe planejado, pois apenas alguns confrontos foram vagamente reportados e logo esquecidos.

O principal impacto nesse movimento de Putin foi o de enviar uma poderosa mensagem aos russos no resto da Ucrânia: a Rússia não irá permitir que um novo regime neofascista te ataque e te aterrorize. Isso também teve um grande impacto no aumento nos protestos, com os manifestantes cada vez mais numerosos e mais determinados. Quanto ao novo regime em Kiev, tudo o que ele pode fazer foi usar suas forças de segurança para prender alguns líderes políticos, mas, além disso, Kiev não se movimentou para repreender essas regiões com o uso de força militar (pelo menos não até agora).

A imprensa ocidental está fazendo um fantástico trabalho em tentar não noticiar tudo isso. Jornalistas e políticos ocidentais estão agindo como se de alguma maneira eles pudessem jogar o “gênio” do patriotismo russo de volta à lâmpada, mesmo tendo sido eles, e não Moscou, que o fizeram despertar em primeiro lugar.

Pior ainda, a propaganda ocidental ainda tenta representar a situação como se fosse sobre o futuro da Ucrânia. Não é. A Ucrânia como conhecíamos não existe mais. Está morta, terminada e jogada de volta ao passado. O que está em jogo agora não é o futuro da Ucrânia, mas o futuro do império dos EUA.

Por sua arrogância, ignorância e total intransigência, os EUA e seus vassalos da UE redefiniram por completo como o povo russo enxerga a situação. Em sua vasta maioria, os russos olham para o que está acontecendo em Kiev e parecem estar assistindo a um replay dos piores anos da Segunda Guerra Mundial e, por consequência, estão absolutamente determinados a não deixar isso acontecer novamente.

Quando eles veem multidões de nacionalistas ucranianos marchando à noite com tochas e fotos gigantes de Stepan Bandera, os russos (tanto na Ucrânia, quanto na Rússia) enxergam o surgimento de um mal que eles derrotaram ao custo de milhões de mortes: o povo russo sofreu demais durante a Segunda Guerra para deixar qualquer bandido neonazista voltar a aterrorizar seus compatriotas mais uma vez.

A profundidade e a intensidade desse sentimento não é algo que pode ser compreendido dentro da UE e ainda menos nos EUA. Talvez o único lugar no qual a veemência de tal determinação possa ser entendida seja Israel. Em termos práticos, isso significa que a Rússia não irá negociar com qualquer neonazista que ameaça seus cidadãos e nem irá ceder a qualquer ameaça de sanção ocidental.

Logo começou a ficar claro que os EUA não estavam dispostos a ir à guerra com a Rússia por conta da Ucrânia ou da Crimeia. Previsivelmente, no “confronto” entre Barack Obama e Vladimir Putin, foi o norte-americano que cedeu primeiro. O referendo ao qual os EUA tentaram tão veementemente evitar, seguiu em frente e, seu resultado, desastroso para os norte-americanos. Já existem sinais bem claros de que os EUA estão jogando a toalha (dois bons artigos podem ser lidos aqui e aqui) e que o Ocidente já está buscando uma saída.

Isso mostra muito mais do que apenas Obama cedendo primeiro. Se o colapso da política externa dos EUA na Síria foi um vexame doloroso, o que acabou de acontecer na Ucrânia é algo de uma magnitude completamente diferente: a Rússia deu um tapa na cara da UE, OTAN e dos EUA e saiu por cima de uma confrontação, na qual, no último segundo, o Ocidente tentou blefar para vencer, mas bem ao contrário, foi derrotado do começo ao fim.

A dominação total é uma coisa do passado e todo mundo já sabe disso

Duas coisas são certas agora: primeiro que a Crimeia já voltou para a Rússia e nada vai mudar isso; segundo, a tentativa de transformar a Ucrânia em um “Banderastão” irá falhar.

Além disso, assim que o que restou em papel da economia ex-ucraniana entrar em colapso oficialmente, o novo regime terá muito mais problemas para lidar do que os protestos. Em algum momento, talvez os EUA e a Rússia se unam secretamente para mostrar a porta de saída para os nazistas atualmente no poder.

Uma espécie de regime neutro e (mais ou menos) civilizado talvez tome o lugar do atual e, uma “Confederação Ucraniana” neutra e (mais ou menos) civilizada seja criada. Se os neonazistas no poder em Kiev persistirem em se ater ao poder, uma boa parte do leste e sul da Ucrânia talvez siga os passos da Crimeia e se junte à Rússia.

Em longo prazo, talvez a melhor solução para todos seja a divisão da Ucrânia em duas ou três entidades diferentes: uma ocidental e neofascista; uma russa que talvez se junte ao país e possivelmente outra independente no sul.

Mas o sonho de uma grande Ucrânia, governada por nacionalistas “russófobos” não acontecerá – essa opção está descartada.

O que há no futuro para o Império?

Externamente, nada de muito. A vida seguirá como sempre. Nem a Rússia e nem a China farão nada de aventureiro para arriscar os EUA, que por sua vez, assim como a Rússia na década de 1990, continuará a ser uma superpotência nuclear e uma das maiores forças militares do planeta a quem ninguém ousará em ignorar. Todavia, o mito de um EUA onipotente acabou.

Já a Europa terá de arcar com as consequências de ter que lidar com a gradual transformação de uma Ucrânia nazista em algo sensato e que não ameace ninguém. A União Europeia irá afundar ainda mais em suas crises socioeconômicas e alguma outra crise irá tomar o lugar da Ucrânia nos noticiários.