Editorial – Um debate bem vindo

Em períodos eleitorais muitas vezes o debate é pautado por temas pouco importantes, questões pessoais ou posturas e características que não dizem respeito a políticas públicas ou mesmo às qualidades de alguém para ocupar um cargo público. Por conta disso, quando um assunto relevante entra na agenda eleitoral, surge a oportunidade de qualificar a discussão e de saber o que pensam aqueles que estão na disputa eleitoral.

Foi este o caso da exploração do pré-sal. A questão surgiu após a candidata Marina Silva (PSB) dizer que não pretende priorizar a produção de petróleo, sendo que o assunto é mencionado em somente uma linha do texto do seu programa de governo, no qual a presidenciável se compromete tão somente a cumprir a legislação que já existe, aplicando recursos na Educação.

À época de sua descoberta, as destinações dos recursos provenientes do pré-sal foram discutidas e importantes avanços foram conquistados como a garantia de que parte das receitas fosse direcionada para as áreas de Educação e Saúde. Mas a exploração de uma riqueza grandiosa como a representada pelas gigantescas reservas que o país possui também diz respeito a muitos outros aspectos. Se relaciona com o estímulo e articulação de políticas industriais, com o próprio papel que o Brasil pode representar no cenário geopolítico mundial e, claro, com a definição da matriz energética e o meio ambiente.

Por isso, é crucial que em um momento como o processo político-eleitoral tais temáticas venham à tona. É a oportunidade para muitos que não têm familiaridade possam saber do que se trata e consigam participar da definição dos rumos do país, que muitas vezes se relacionam com questões que deveriam fazer parte do cotidiano de todos, mas são invisibilizadas, saem da pauta da classe política e da mídia de uma forma geral. Discussões em nível elevado são sempre bem vindas e fazem parte do processo democrático.

Foto de capa: Juarez Cavalcanti/Petrobras