Editorial – As realidades da economia

Os rumos econômicos do Brasil estão no centro do debate dos candidatos a presidente. Não à toa, já que o desempenho recente da economia brasileira reacendeu as esperanças dos candidatos da oposição, que exploram números como os do crescimento do PIB, da inflação próxima do teto da meta e também da geração de empregos, que diminuiu seu ritmo.

A aposta é a mesma usada por outros candidatos em outras épocas e contextos. No Brasil, em 1989, todos os candidatos eram de oposição, e o grande tema era a hiperinflação que o Brasil vivia à época e que chegou a 80% no mês que antecedeu a posse de Fernando Collor em 1990. Em 2002, o desemprego e os efeitos da desvalorização cambial promovida em 1999, além das recorrentes idas do país ao FMI minaram a confiança da população no governo FHC, e seu candidato José Serra escondia o presidente em sua propaganda, buscando uma separação que não existia em termos práticos.

No entanto, hoje o cenário é bem diferente, embora haja sinais de preocupação. E o discurso do medo, expressão em voga na disputa presidencial, é usado nesse contexto contra o governo petista, já que muitos de seus adversários preveem um verdadeiro apocalipse para o Brasil nos próximos meses, anos, ou mesmo agora. Ainda que a percepção da população não seja exatamente essa.

Mas, como dito acima, a situação econômica não é confortável e exige o estudo e a implementação de medidas para que o crescimento seja retomado sem comprometer os avanços sociais já conquistados, assim como outros direitos. A discussão a respeito do tema no período eleitoral seria uma oportunidade de ouro para aprimorarmos distintas visões sobre as possíveis soluções para os dilemas econômicos. Mas não é isso que tem acontecido.

Apostando no discurso generalista e que apenas prevê o caos, alguns oposicionistas empobrecem o debate, deslocando o eixo da discussão também para a candidata governista, com ambos os lados se esquivando de falar a respeito do futuro, a curto, médio e longo prazo, o que seria de interesse de todo o eleitorado. Ainda há tempo para qualificar um diálogo mais que necessário.