Editorial – As urnas e a reflexão

As urnas deram alguns recados neste último final de semana. Entre eles, algo que ficou evidente foi a ascensão do conservadorismo, que se refletiu na eleição de alguns parlamentares que defendem posições ortodoxas e caras à direita. Vários deles foram campeões de votos e vão fazer do Congresso Nacional e das diversas casas legislativas nos estados seus palanques permanentes de defesa de valores muitas vezes contrários aos direitos humanos.

Em São Paulo, tema de capa desta edição, a situação foi especialmente pior. O governador do estado, Geraldo Alckmin, garantiu sua reeleição com um discurso no qual defende, entre outros pontos, a redução da maioridade penal, ainda que esta não seja uma questão da órbita de um governador. Foi acompanhado de muitos parlamentares e contará, em sua base de apoio aumentada, com uma “bancada da bala” disposta a apoiar o recrudescimento da repressão policial, que atingirá os mesmos de sempre.

Mas o estado de São Paulo não virou ou ficou mais conservador do dia para a noite. A esquerda e a centro-esquerda tiveram dificuldades para se situar politicamente na disputa com o campo oposto. Muitas figuras políticas se omitiram ou até mesmo foram coniventes com o discurso e as práticas da direita, tentando muitas vezes mimetizar parte de seu comportamento com outro verniz. A descaracterização, que ocorre há tempos, diga-se, confundiu parte do eleitorado e desanimou outra.

Por conta disso, resta uma reflexão à esquerda em geral e ao PT em particular: é preciso analisar o cenário adverso e encarar o debate que está posto. Não se pode fugir de temas cruciais e que dizem respeito a valores quase seculares de defesa dos direitos e de justiça social. A hora de tergiversar passou e é preciso se posicionar e discutir para que novos recuos não venham a ocorrer no embate político que, agora, está mais transparente do que nunca.