Editorial – Dilma no segundo turno. Porque Fórum sempre teve lado

O segundo turno de uma eleição é o momento de confronto de projetos, em geral, opostos em um ou muito sentidos. A disputa presidencial de 2014 não foge à regra. Repete-se uma polarização que vem sendo a tônica no cenário nacional desde 1994, quando Fernando Henrique Cardoso se elegeu presidente da República superando Lula, segundo colocado.

No entanto, há diferenças em relação aos cenários de pleitos passados. Primeiro, o acirramento é maior e a imprevisibilidade, idem. É o tipo de contexto que não admite tergiversações ou omissões. Por isso, Fórum declara sua opção desde já.

Nossa publicação nasceu a partir do Fórum Social Mundial, em 2001, e desde então tem acompanhado e retratado as mudanças ocorridas no período. Àquela época, vivíamos sob a égide do pensamento único, que anunciava o fim da História e o triunfo do neoliberalismo. Aos poucos, a população de todo o continente e de outras partes do mundo foi reagindo. Nas ruas e nas urnas. Assim, subiram aos governos forças progressistas que representaram rupturas não só com o modelo econômico e social, promovendo a inclusão em diversos níveis, mas que também tiveram força simbólica para fazer com que muitos excluídos passassem a ter contato com o poder público, algo inédito até então.

De lá para cá, muitos avanços ocorreram. Mas muitos ainda estão por vir. E todos nós temos pressa. O atual governo tem falhas em diversas áreas, muitas delas relatadas e reportadas na Fórum. As políticas direcionadas aos povos indígenas, a tibieza diante da defesa de direitos de minorias, o ritmo da execução da reforma agrária, entre outros pontos, foram questões que estiveram presentes em nossas reportagens e artigos, e continuaremos cobrando. Mas o que se coloca agora é uma possibilidade não só de não avançarmos como de retrocedermos.

Com um Congresso mais conservador, medidas defendidas por Aécio e que afrontam os direitos humanos como a redução da maioridade penal têm ampla possibilidade de serem aprovadas. A demarcação de terras indígenas sob controle exclusivo do Congresso Nacional também é outro recuo que ganha força em face de um governo do PSDB. E o retorno de Armínio Fraga, desta vez como ministro da Fazenda, representa uma reprise de todo o cenário daqueles meados do fim do século 20 e começo do 21, quando eram mais importantes os “direitos” da banca do que das pessoas.

Em função disso, defendemos o voto em Dilma. E seguiremos em nossa posição de cobrança, sem falseamentos e nem praticando um jornalismo que se baseia em ilegalidades ou suposições, algo tão em voga na mídia tradicional. O que não é de hoje, mas que não precisa ser para sempre.