Editorial – A periferia que é o centro

Nesta sexta-feira (14), a revista Fórum, em parceria com a Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo e com apoio do SpressoSP e IG, promoveu o seminário A periferia no centro – culturas, narrativas e disputas. A iniciativa tinha como objetivo destacar e dar espaço às vozes e à produção da cultura periférica, romper uma invisibilidade imposta pelo status quo e os muros que contêm uma enorme diversidade e pluralidade em um local restrito.

Não é de hoje que a produção cultural periférica em São Paulo e em outros centro urbanos apresenta uma força extraordinária. São inúmeros coletivos, entidades e pessoas que vivem a arte de forma intensa, mesmo que seu trabalho permaneça oculto para boa parte da sociedade, o que demonstra que os muros da segregação social em nossas cidades, ainda que não sejam feitos de concreto ou aço, são mais sólidos do que se imagina.

Trata-se de um apartheid simbólico que é ratificado pela mídia tradicional, tanto em sua programação de entretenimento como na jornalística. A periferia só é notícia em programas policias que consolidam estereótipos associando a criminalidade aos moradores locais, como se em bairros luxuosos não fossem tramadas as ditas tenebrosas transações que sustentam estruturas criminosas no país. Iniciativas culturais só se tornam foco de atenção quando absorvidas pela grande indústria, sofrendo ainda toda sorte de preconceitos.

É preciso que se estabeleça um diálogo entre estas diversas formas de se fazer cultura, mas também que o poder público atente para este cenário, ajudando a acabar com a a desigualdade que se faz presente nesta área e em tantas outras. O Brasil já começou a olhar pra si, mas ainda há um longo caminho para que possa se ver por inteiro.