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30 de abril de 2019, 07h08

Direção da Globo mandou ignorar entrevista de Lula, diz jornalista

Justificativa foi de que a primeira entrevista do ex-presidente depois que se tornou preso político não traria nada de novo que pudesse valer a repercussão. A emissora também teria feito chegar aos profissionais da casa que não tem interesse em pedir, ela própria, uma entrevista com Lula

O ex-presidente Lula (Foto: Reprodução)
A direção da Rede Globo determinou aos jornalistas e veículos da emissora que não repercutissem a entrevista concedida pelo ex-presidente Lula aos jornais Folha de S.Paulo e El País na última sexta-feira (26). A informação é da jornalista Cristina Padiglione, nesta terça-feira (30) no site Telepadi, especializado na cobertura dos bastidores da TV. Leia também: Lula admite erro: “Eu poderia ter feito a regulamentação dos meios de comunicação” Segundo a jornalista, a determinação foi enfatizada, de forma verbal, de que o assunto não deveria constar dos noticiários. A emissora também teria feito chegar aos profissionais da casa que não tem interesse...

A direção da Rede Globo determinou aos jornalistas e veículos da emissora que não repercutissem a entrevista concedida pelo ex-presidente Lula aos jornais Folha de S.Paulo e El País na última sexta-feira (26). A informação é da jornalista Cristina Padiglione, nesta terça-feira (30) no site Telepadi, especializado na cobertura dos bastidores da TV.

Leia também: Lula admite erro: “Eu poderia ter feito a regulamentação dos meios de comunicação”

Segundo a jornalista, a determinação foi enfatizada, de forma verbal, de que o assunto não deveria constar dos noticiários. A emissora também teria feito chegar aos profissionais da casa que não tem interesse em pedir, ela própria, uma entrevista com Lula.

Em nota ao site, a Globo negou a determinação, mas não explicou os motivos de não ter repercutido a entrevista em seus veículos e telejornais.

Ainda segundo a reportagem, as chefias teriam justificado aos subalternos que a entrevista de Lula não traria nada de novo que pudesse valera repercussão.

Repercussão no mundo
Enquanto a Globo e a Record, do bispo bolsonarista Edir Macedo, ignoraram a entrevista de Lula, os maiores veículos de comunicação do mundo deram destaque às palavras do ex-presidente, que falou pela primeira vez depois de sua prisão política, há mais de um ano.

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The Guardian, jornal britânico, destacou a entrevista, mencionando a declaração de Lula de que o Brasil está sendo governado por um bando de malucos e que os “lacaios” dos EUA destruíram a reputação internacional do país. “Nunca vi um presidente saudar a bandeira americana. Nunca vi um presidente dizer que ama os Estados Unidos”, disse Lula, em trecho destacado pelo jornal.

Le Figaro, mais tradicional jornal da França, enfatizou a “obsessão” de Lula, a quem chama de ícone da esquerda, de provar sua inocência, ainda que custe sua liberdade. “Eu quero sair daqui com a cabeça erguida, como entrei: inocente. Muitas pessoas pensaram que eu teria que fugir, sair do Brasil ou me refugiar em uma embaixada. Mas eu decidi que o meu lugar era aqui. Posso ficar na prisão por cem anos, mas não vou trocar minha dignidade pela minha liberdade”, destacou o jornal.

Fox News, canal de notícias norte-americano, citando matéria da agência Associated Press, também mencionou as declarações de Lula no sentido de provar sua inocência das condenações que recebeu da Operação Lava Jato. “Estou obcecado em desmascarar o juiz Moro e aqueles que me sentenciaram. Quero expor a farsa montada no Departamento de Justiça dos Estados Unidos”.

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TeleSur, emissora multi-estatal para a América ressaltou a briga jurídica que precisou ser travada para que a entrevista ocorresse. “O ex-mandatário fez suas declarações durante a entrevista que foi autorizada no último dia 18 de abril pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, José Antonio Dias Toffoli, após um processo legal para sua realização”.

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