Dirigente petroleiro demitido por arrecadar alimentos luta para ser reintegrado à Petrobras

Acontece nesta quinta-feira audiência de reintegração do petroleiro Alessandro Trindade, demitido por arrecadar a alimentos a uma ocupação

Alessandro Trindade, diretor petroleiro demitido por participar de ação de solidariedade | Foto: Sindipetro/NF
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Nesta quinta-feira (10) acontece a audiência de reintegração do petroleiro Alessandro Trindade, demitido pela direção da Petrobras no ano passado após participar de uma ação de solidariedade realizada em Itaguaí (RJ). A audiência só vai acontecer oito meses após a rescisão e é vista com desconfiança pelos petroleiros.

Trindade, que é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), foi demitido por justa causa pela Petrobras em junho de 2021 pelo simples fato de ter comparecido a uma ação de arrecadação de alimentos na ocupação chamada de Campo dos Refugiados, localizada num terreno da estatal em desuso. Os alimentos foram arrecadados por servidores da Petrobras e doados às famílias que vivem no local.

Desde a ocupação da área, que teve início em 1° de maio de 2021, a Federação Única dos Petroleitos (FUP) e o Sindipetro-NF foram avisados sobre a campanha de arrecadação de mantimentos. As organizações de classe, então, passaram a colaborar com a iniciativa, o que fez com que a direção da empresa passasse a acusar Trindade de participar da ocupação do terreno.

Trindade, que mobiliza um tuitaço #JustiçaparaAlessandro para as 10h desta quinta, disse à Fórum que vai buscar a reintegração na audiência. "Depois de oito meses a gente tem uma audiência marcada que vai julgar a questão da suspensão do meu contrato em que a vai buscar a reintegração", afirmou.

No entanto, a audiência é vista com desconfiança pelos petroleiros, que chegaram a pedir o adiamento da seção e a mudança da foro de julgamento. Os sindicalistas tem tido frequentes derrotas na Vara do Trabalho de Macaé e enxergam uma forte influência política da Petrobras na regional.

"A gente tentou realizar a suspensão, mas ela não ocorreu, então vamos aguardar que aconteça o correto. Que a gente possa dizer que solidariedade não é crime e que eu tenha meu direito do meu contrato reabilitado. Eu fui realizar somente um ato de solidariedade, nada mais", disse Trindade à Fórum.

"O que ocorreu ali é o que vem ocorrendo no Brasil todo... Espero que o Estado fascista seja desmascarado na Vara do Trabalho", completou.