DIREITOS TRABALHISTAS

Nubank: trabalhadores mostram indignação e disposição para luta contra fim do trabalho remoto

Plenária promovida por sindicato reuniu 300 pessoas para discutir mudanças no modelo de trabalho apresentadas pela empresa

Fachada do Nubank em São Paulo em 2021.Créditos: NELSON ALMEIDA / AFP
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Em uma plenária promovida pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região na noite desta quarta-feira (12), com a presença de cerca de 300 pessoas, os trabalhadores do grupo Nubank se mostraram indignados com as mudanças no regime de trabalho e manifestaram disposição para a luta, ao lado do Sindicato, contra o fim do modelo atual de trabalho remoto e pela reintegração dos colegas demitidos por criticarem a mudança imposta pela empresa.

O Nubank anunciou, no dia 6 de novembro, a adoção de um novo modelo de trabalho híbrido. O plano prevê dois dias presenciais por semana a partir de 1º de julho de 2026 e três dias a partir de 1º de janeiro de 2027. A mudança atinge cerca de 70% do quadro de pessoal e será significativa em relação ao atual formato, que exige uma semana de trabalho presencial por trimestre. Foi marcada uma reunião entre o Sindicato e o Nubank, para discutir o modelo de trabalho e a suspensão das demissões no dia 19/11.   

Os relatos dos trabalhadores foram unânimes quanto a insatisfação com a mudança de regime de trabalho, levantando pontos como, por exemplo, o fato de muitos terem ido para o Nubank com a promessa de trabalho remoto; a necessidade de mudança para locais com escritórios da empresa, em especial São Paulo, quando já construíram a vida familiar e financeira em outras cidades, inclusive com financiamento de imóveis; e o impacto para trabalhadores responsáveis pelo cuidado de filhos, pais e outros familiares, muitas vezes pessoas com deficiência e neurodivergentes.

Outro ponto abordado foi a forma como a mudança foi comunicada pelo Nubank, sem que fosse apresentada aos trabalhadores qualquer justificativa amparada em dados para a mudança de regime de trabalho.

Os trabalhadores também relataram falta de transparência quanto às consequências para os contratados no regime remoto que eventualmente se recusarem a assinar aditivo contratual para a mudança de modelo. De acordo com os relatos, o Nubank passou a “mensagem” de que “ou aceita, ou será demitido”.

“O Sindicato não vai aceitar retaliação por conta de manifestações dos trabalhadores pelo descontentamento com o fim do modelo 100% home office. É uma mudança grave, que precisa de diálogo. Os trabalhadores têm que ser ouvidos. Esperamos que, a partir de agora, o Nubank esteja disposto a ouvir as reivindicações que serão apresentadas nas mesas de negociação”, afirmou Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.

 

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