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29 de agosto de 2017, 09h39

29 de Agosto – Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Nosso lugar é onde queremos estar

O Dia Nacional da Visibilidade Lésbica é um marco que destaca a existência das lésbicas enquanto mulheres que pagam impostos, trabalham, estudam, votam, têm filhos, existem!

Da Redação*

No dia 29 de agosto é comemorado o Dia da Visibilidade Lésbica no Brasil. A data é fruto de um evento realizado em 2006, o 1º Seminário Nacional de Lésbicas, no qual discutiu-se a importância da visibilidade para a promoção do respeito e inibir violências.

Infelizmente, há muitos motivos que justificam a criação dessa data, pois nossa sociedade ainda ignora a realidade das mulheres lésbicas, negando a representatividade lésbica em diversos espaços ou inviabilizando pesquisas e ações sociais próprias para a realidade dessas mulheres.

As mulheres lésbicas são alvo de violência simbólica, verbal, psicológica, física e econômica em todos os espaços: a família, a rua, os hospitais, a escola, o trabalho. Essa opressão imposta pela sociedade patriarcal causa muito sofrimento, podendo provocar a negação da própria sexualidade, afastamento de familiares, a construção de uma vida dupla e, em alguns casos, suicídio.  Dentre as expressões mais extremas de violência contra lésbicas existe uma enorme ocorrência do chamado estupro “corretivo”, prática cruel que é movida pela intolerância à orientação sexual das mulheres lésbicas. É importante ressaltar que as mulheres lésbicas negras e/ou periféricas estão ainda mais vulneráveis a essas diferentes formas de violência.

Instituições de saúde compreendem a importância de prevenção de DST’s e promovem discussões e eventos de conscientização para a prevenção em heterossexuais e gays, pouco se fala sobre as formas de prevenção para as mulheres lésbicas. Esse evento ocorre em uma estrutura machista, em que o sexo lésbico é negligenciado e muitas vezes não é considerado sexo. Os materiais de informação e prevenção para lésbicas não são distribuídos gratuitamente em postos de saúde, tampouco discutidos abertamente para informar a população e quebrar tabus.

O Dia Nacional da Visibilidade Lésbica é um marco que destaca a existência das lésbicas enquanto mulheres que pagam impostos, trabalham, estudam, votam, têm filhos, existem!

Em nota oficial, a Comissão de Direitos Humanos do Governo Federal, em 2016, reconheceu o Dia da Visibilidade Lésbica: “A luta pela garantia dos direitos humanos e pela estabilidade democrática, passa, portanto, necessariamente pela luta que assegura a visibilidade lésbica e seus direitos. Para combater retrocessos, é necessário reconhecer e valorizar a diversidade. É necessária a democracia. Por nenhum direito a menos!”

Em 2003, em decorrência da morte da ativista lésbica Rosely Roth, definiu-se também o dia 19 de agosto como o Dia Nacional do Orgulho Lésbico. Pertinente às agressões lesbofóbicas que ocorreram neste dia, em 1983, realizou-se um protesto no bar Ferro’s, em São Paulo, palco das atrocidades preconceituosas.

Esses são só alguns exemplos que demonstram porque é urgente uma data para se debater e promover a visibilidade das mulheres lésbicas. Esses exemplos são o produto de uma sociedade com valores machistas e lesbofóbicos. A invisibilidade lésbica é alarmante porque é, ao mesmo tempo, resultado e fonte da lesbofobia. E é essa mesma lesbofobia, o ódio e o preconceito contra as mulheres lésbicas, que faz com que as mulheres lésbicas sofram diferentes formas de violências, desde a negação de suas identidades até a violência sexual e física.

Lutar pela visibilidade lésbica é lutar contra a lesbofobia! Essa luta é ainda mais urgente em nosso país. Pois, segundo uma pesquisa realizada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, de 2013 e 31 de março de 2014 foi registrado o assassinato de 594 pessoas LGBT e 176 vítimas de ataques graves, ainda que não letais. Entre esses casos de violência, 55 foram contra mulheres lésbicas.

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Lutar pela visibilidade lésbica é lutar pelas políticas públicas que sempre nos foram negadas, bem como ocupar o espaço que sempre nos fora tirado. É desnudar nossas especificidades que não podem ser ignoradas. Faz-se de suma importância evidenciar que tanto o machismo, como a misoginia incidem sobre nós e atua em uma de suas mais intensas e cruéis formas, a lesbofobia.

É imprescindível manifestar que existimos e estamos nas suas casas, ruas, audiências, nas faculdades, nos hospitais, escritórios, no pódio Olímpico e é até mesmo nas Igrejas e nos Cultos Cristãos – nosso lugar não é apenas nos empregos sem contato direto com o público, tampouco, dentro de nossas casas e muito menos dentro de seus armários. Nosso lugar é onde queremos estar.

*Este artigo foi elaborado com trechos dos sites Revista Lado A e Camtra (A Casa da Mulher Trabalhadora)

Foto: Amor Sapatão Page


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