Fórumcast #20
04 de janeiro de 2019, 10h32

“Aldeia Maracanã é lixo urbano. Quem gosta de índio, vá para a Bolívia”, diz deputado do PSL

Rodrigo Amorim, deputado mais votado do Rio, com apoio da família Bolsonaro, foi quem quebrou a placa em homenagem à ex-vereadora Marielle Franco

O deputado mais votado do Rio, Rodrigo Amorim, conta com o apoio da família Bolsonaro – Foto: Reprodução/Facebook

A Aldeia Maracanã, que abriga o prédio onde funcionou o Museu do Índio, no Rio de Janeiro, é alvo de polêmica. Rodrigo Amorim (PSL), deputado estadual mais votado, declarou que o terreno de 14,3 mil metros quadrados é um “lixo urbano” e que é necessária uma “faxina” no local para “restaurar a ordem”, de acordo com informações de Paulo Cappelli, de O Globo.

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Aliado de Jair Bolsonaro, do mesmo partido, Amorim também usou o termo “restaurar a ordem” para quebrar a placa com o nome da ex-vereadora Marielle Franco na Praça Floriano, em frente à Câmara Municipal.

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“Aquele lixo urbano chamado Aldeia Maracanã é um absurdo. E é logo em um dos trechos mais importantes sob o ponto de vista logístico, numa área que liga a Zona Norte à Zona Sul, bem do lado do Maracanã. O espaço poderia servir como estacionamento, shopping, área de lazer ou equipamento acessório do próprio estádio do Maracanã. Como carioca, me causa indignação ver aquilo do jeito que está hoje. Quem gosta de índio, que vá para a Bolívia, que, além de ser comunista, ainda é presidida por um índio”, disse Amorim.

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De acordo com o deputado, o local oferece risco a moradores e turistas. “A Aldeia Maracanã é um terreno baldio, cheio de mato e lixo. Lugar de refúgio que tem imigrantes sem relação com índio algum. Tem ali uma oca para travestir o lugar e fazer alguma ilação, mas a verdade é que virou uma cracolândia, um ponto de consumo de drogas para delinquentes e marginais”, acrescentou.

Extermínio indígena

O deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), por sua vez, criticou os comentários de Amorim. “O objetivo de derrubar a Aldeia Maracanã é o mesmo de quem quer acabar com as reservas indígenas. É fazer com que a gente reviva um processo de colonização e de extermínio do povo indígena. É lamentável que, nos dias de hoje, estejamos revivendo discursos que busquem exterminar a cultura indígena”.

E acrescentou: “A Aldeia Maracanã é um reflexo de como a questão indígena é mal resolvida e secundarizada no Brasil e no Rio de Janeiro. Há de se buscar a construção de um espaço onde as tradições indígenas sejam respeitadas e valorizadas. Querer destruir isso é querer destruir a cultura indígena como um todo”, finalizou.

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