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31 de julho de 2018, 15h42

Alunos publicam carta de apoio à Débora Diniz, ameaçada por defender o direito ao aborto

Um grupo de orientandos e ex-orientandos da antropóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB) assinou manifesto em que ressalta a relevância de seu trabalho científico e atuação como cidadã

Foto: Agência Senado

Um grupo de 76 orientandos e ex-orientandos da professora e antropóloga Débora Diniz, da Universidade de Brasília (UnB), divulgaram uma carta pública, na qual destacam a relevância de sua atuação científica, além da importância de seu papel como cidadã. O manifesto rechaça com veemência os ataques e as ameaças sofridos por ela. As informações são do Justificando.

Débora é reconhecida por seu trabalho em temas relacionados à saúde e direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Desde junho ela vem sendo vítima de ameaças por telefone, cartas e redes sociais, em função de ser favorável à descriminalização do aborto no Brasil. Por causa disso, deixou Brasília e espera ter seu nome incluído no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do governo federal.

Acompanhe a íntegra da carta:

Querida Professora,

Nós, suas orientandas e seus orientandos, assinamos esta carta para prestar nosso apoio incondicional e expressar nosso repúdio e indignação às ameaças que tem sofrido por sua atuação em defesa dos direitos das mulheres e em pesquisas de reconhecida excelência que há anos conduz nas áreas de Bioética e Direitos Humanos.

É uma alegria tê-la como professora orientadora e exemplo de cidadã e pessoa humana. Nós somos testemunhas de sua generosidade, disposição e determinação. E por isso, nossos sentimentos de gratidão, respeito e admiração. Ressaltamos a importância e a legitimidade do seu empenho intelectual e pedagógico em favor da igualdade e da liberdade, que também se manifesta por meio de identificação, análise e enfrentamento de toda e qualquer forma de
opressão. É um privilégio poder, ao seu lado, atuar em defesa da dignidade de multidões de pessoas solitárias, anônimas, vulneráveis, sujeitas a processos de desumanização, precarização, invisibilização, silenciamento, marginalização e aniquilamento.

Aprendemos com você ciência e coragem. Estamos prontas e prontos para disputar histórias e direitos de mulheres vítimas de violência, pessoas com deficiência, meninas e mulheres encarceradas, mães de crianças vítimas da epidemia do vírus Zika, pessoas esquecidas em manicômios judiciários, lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, bem como de tantos outros grupos vulnerabilizados. Além da importância do rigor, do método e das técnicas
científicas, em você testemunhamos a importância da escuta, da escrita, da reflexão e da partilha do conhecimento enquanto sonho possível do fazer científico.

Sabemos não ser necessário reafirmar a sua reconhecida competência profissional. Para isto, há títulos, prêmios, notas de apoio internacionais. Aqui, celebramos seu papel de educadora nas nossas trajetórias. Defendemos o direito de liberdade de pensamento e de cátedra e nos opomos a intimidações sexistas ou a qualquer cerceamento movido por interesses mesquinhos e visões de mundo restritivas e dogmáticas. Reiteramos que, na democracia, o campo de batalha deve se localizar nas ideias fundamentadas e no diálogo. Jamais na violência. Àqueles que ainda não valorizam o saber acadêmico e os princípios norteadores da democracia, dizemos: Deixem a nossa orientadora em paz! Temos muito o que aprender com ela, inclusive a mudar o mundo.
Professora Debora, estamos com você!

Grata e orgulhosamente, somos e seremos sempre,

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