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28 de maio de 2019, 20h34

Artistas acusam Banco do Nordeste de censura após retirada de faixa sobre casamento gay

Gerente do Centro Cultural Banco do Nordeste foi afastado depois da exposição “O que pode um casamento (gay)?”, em Fortaleza; justificativa da instituição financeira é que faixa descaracterizava fachada do imóvel

Fotos: Arquivo Pessoal

Um grupo de artistas de Fortaleza (CE) está acusando o Banco do Nordeste de censura. O fato ocorreu depois da retirada de uma faixa com mensagem que fazia referência ao casamento gay. A faixa integrava a exposição “O que pode um casamento (gay)?” e estava afixada na frente do prédio do Centro Cultural. No entanto, foi retirada por ordem de funcionários da instituição financeira, sem autorização dos autores e da curadoria do evento.

A exposição era realizada junto a várias performances de artistas, que decidiram transformar o próprio casamento em uma obra. Entre as manifestações, havia essa faixa, onde se podia ler: “Em terra de homofóbicos casamento gay é arte”.

Os autores da obra são os artistas Eduardo Bruno e Waldírio Castro. Uma reunião havia sido agendada para discutir o assunto, pois uma funcionária do espaço queria retirar a faixa.

Contudo, antes do encontro, o objeto foi removido. Nesta terça-feira (28), os artistas resolveram remover toda a instalação que ocupava a parte interna do Centro Cultural Banco do Nordeste e denunciaram o ato de censura.

Depois da polêmica, o gerente executivo do Centro Cultural, Gildomar Marinho, foi afastado.

Obra violada

“Não faz sentido manter toda a obra em local onde parte dela foi violada. Pra gente, isso é uma violência, um ato de censura. Eu não consigo ver outra justificativa para isso. Me pergunto se existe outra justificativa”, disse Eduardo Bruno, que classifica o caso como homofobia.

“Era uma faixa, na parte de dentro, tinha um beijo gay, que hoje até novela mostra. Não tem discurso de ódio, não tem palavra de baixo calão, não tem pornografia”, declarou.

Posicionamento

O Bando do Nordeste divulgou uma nota para tentar justificar a medida.

A obra em questão faz parte do 70° Salão de Abril, organizado pela Prefeitura de Fortaleza e pelo Instituto Iracema, evento para o qual o Centro Cultural Banco do Nordeste Fortaleza cedeu espaço para algumas exposições. As obras foram selecionadas por curadoria contratada pelo Instituto Iracema.

O Centro Cultural Banco do Nordeste Fortaleza não interferiu na exposição do artista, somente discordou da instalação de faixa na entrada do equipamento, afixada próximo à logomarca do centro cultural, descaracterizando a fachada do prédio e comprometendo sua identidade visual. A informação sobre demissão não procede.

 


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