Bolsonaro sobre auxílio emergencial: “quem quer mais é só ir no banco e fazer empréstimo”; assista vídeo

Presidente gastou R$2,3 milhões em suas férias e come picanha de R$1.800 o quilo, mas debocha de quem acha pouco o valor de R$250 do auxílio emergencial, que acaba em julho

Em conversa com apoiadores na porta do Palácio da Alvorada, na tarde desta terça-feira (1), o presidente Jair Bolsonaro fez pouco caso dos milhares de brasileiros que lutam para sobreviver com o auxílio emergencial, que atualmente é pago em parcelas que variam entre R$150 e R$375 por mês.

Uma das principais pautas das manifestações contra Bolsonaro no último sábado (29) foi justamente a extensão e aumento do auxílio para R$600, valor original que havia sido aprovado graças à articulação da oposição no Congresso Nacional, em 2020, para atenuar os efeitos econômicos da pandemia do coronavírus.

Bolsonaro, no entanto, sugeriu que aqueles que querem mais auxílio procurem um banco e façam um empréstimo. “Nós gastamos em 2020 com o auxílio emergencial o equivalente a dez anos de Bolsa Família. E tem gente criticando ainda falando que quer mais. Como é endividamento por parte do governo, quem quer mais é só ir no banco e fazer empréstimo”, disparou.

“Sabemos da situação difícil que se encontra a população, que perdeu o emprego. Não por culpa do presidente, eu não obriguei ninguém a ficar em casa, não fechei comércio e por consequência não destruí emprego”, afirmou ainda o presidente, sem considerar que inúmeros países no mundo chegaram a um controle melhor da pandemia implantando medidas restritivas e transferindo renda através de programas parecidos com o auxílio emergencial.

No ano passado, 68 milhões de brasileiros tinham direito ao auxílio. Neste ano, esse número, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), baixou para 38,6 milhões de beneficiados. Em consequência das novas regras impostas pelo governo federal, quase 30 milhões de brasileiros passaram a viver em insegurança alimentar.

Bolsonaro, porém, enquanto sugere que os mais pobres que dependem do benefício procurem um banco, “ostenta” comendo picanha que custa R$1.800 o quilo e gasta R$2,3 milhões para curtir 17 dias de férias.

Assista ao trecho em que o presidente fala sobre o auxílio, divulgado pelo deputado Henrique Fontana (PT-RS).

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Ivan Longo

Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.