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07 de maio de 2019, 21h05

Casa noturna de SP acusada de barrar negros agora é denunciada por agressão à mulher

Taynara Diniz afirma ter levado socos na cabeça, olhos, costas e chutes nas pernas de cinco seguranças da Villa Mix

Foto: Reprodução/Instagram

A empresária Taynara Diniz, de 29 anos, denunciou nas redes sociais ter sido violentamente agredida por cinco seguranças mulheres da casa noturna Villa Mix, na Vila Olímpia, em São Paulo. O fato ocorreu na madrugada de domingo (5).

Taynara relatou o que sofreu em sua página no Facebook:

“No dia 05 de maio, eu fui ao Villa Mix com uma amiga. Na pista de dança um homem jogou de propósito todo o copo da bebida dele no meu rosto. Por óbvio, a minha reação na hora foi a de também soltar o meu copo, já que na hora fiquei cega pelo álcool da bebida dele nos meus olhos.

Ao verem o que estava acontecendo as seguranças da casa me seguraram e me tiraram da pista para evitar uma confusão maior. E então, após uma discussão sobre quem estava certo ou errado, as seguranças, ao invés de me escoltarem até a saída da casa, me levaram para uma sala nos fundos (já conhecida por muitos) onde fui espancada por 5 seguranças, a mais pura covardia e crueldade.

Levei socos na cabeça, nos olhos, costas, chutes nas pernas, tive o meu vestido rasgado, além da humilhação que passei. Outras 3 testemunhas ouviram os meus gritos de desespero e socorro do lado de fora da casa, e começaram a bater no portão, pedindo que liberassem a pessoa que estava ali sendo espancada.

Nisso um segurança (o mesmo que estava me segurando) abriu o portão e falou “está tudo bem, não está acontecendo nada”. Após muita insistência e após dizerem que a polícia estava a caminho, abriram o portão e me jogaram para fora como um animal. Assim que começaram as agressões (dentro da tal sala), eu comecei a ameaçar chamar a polícia, nesse momento roubaram o meu celular me deixando lá presa sem qualquer comunicação.

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Só pararam de me bater quando eu parei de me debater e fingi um desmaio. Assim, levantei e corri, atravessei a primeira porta e fui segura por outro segurança na porta que dava acesso para a rua. Onde gritava mais alto por socorro.

Engraçado que, após a chegada da polícia, meu pai tentou localizar meu celular pelo “find my iPhone” e menos de 5 minutos depois o celular foi entregue por um faxineiro da casa ao policial falando que meu celular foi “encontrado” no lixo (suspeito ou não?).

ESSE NÃO É O PRIMEIRO RELATO E NÃO SERÁ O ÚLTIMO. O gerente da casa inventou muitas histórias, tudo para se safarem (algo muito provável). Acredito que esse texto não dê em nada, mas esse episódio precisa ser exposto de alguma forma.

Não fui a primeira pessoa a ser espancada nessa casa de show (ou melhor: CASA DO HORROR), ao contrário, em uma simples busca no google é fácil de verificar que agredir os frequentadores é uma prática reiterada do Villa Mix. Infelizmente sei que não serei a última, por isso faço esse relato!! COMPARTILHEM! Vamos evitar que mais mulheres e homens sejam espancados por esse LIXO de lugar”.

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Versão da Villa Mix

A casa noturna divulgou uma nota:

“A ‘JHLS lanchonete e choperia’, licenciada da marca Villa Mix, vem por meio desta nota esclarecer os acontecimentos do último dia 05/05/2019 sobre as acusações de uma jovem, que teria sido vítima dentro da casa “Villa Mix” de São Paulo.

Na data referida, a jovem acusadora, conforme ela mesmo admite, teve um desentendimento com outro cliente gerando tumulto capaz de colocar em risco a integridade física dos envolvidos e de terceiros. Nesse momento, a equipe de segurança, composta de colaboradores de empresa terceirizada e especializada em eventos/casas noturnas, foi acionada para resolver a situação.

A equipe de colaboradores da empresa de segurança relata que, ao abordarem a jovem acusadora, conforme restou relatado perante a autoridade policial (Boletim de Ocorrência número 4029/2019), a mesma se mostrava descontrolada, em razão da discussão que teve com o outro cliente, inclusive teria agredido física e moralmente os colaboradores.

A empresa informa que está acompanhando a apuração dos fatos e colaborará com as autoridades policiais para a responsabilização pelo lamentável acontecimento e determinou à empresa de segurança terceirizada o afastamento imediato dos seguranças envolvidos até que os procedimentos oficiais de apuração sejam concluídos.

Por fim, a empresa reitera que repudia qualquer tipo de violência, discriminação, racismo e qualquer tipo de agressão à mulher ou prática oposta à sua finalidade: proporcionar momentos de alegria e descontração”.

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Investigação

Também em nota, a Secretaria de Segurança Pública disse que o caso é investigado por meio de inquérito policial instaurado pelo 96º DP. “No momento do registro da ocorrência os envolvidos foram ouvidos e a vítima foi convocada a comparecer à unidade para prestar mais informações que possam auxiliar nas investigações”.

Racismo

Não é a primeira vez que a Villa Mix se envolveu em ocorrências policiais. Em setembro de 2017, uma ex-funcionária da casa noturna, que trabalhava como hostess, uma espécie de recepcionista, comprovou através de imagens do WhatsApp, que era pressionada pelo gerente do local para impedir a entrada de negros.

Ela ganhou na Justiça o direito a receber uma indenização por danos morais de R$ 60 mil. A funcionária, que é negra e trabalhou por dois anos no local, era responsável por selecionar os frequentadores do estabelecimento.

“Nós recebíamos ordens da diretoria e dos donos nas reuniões em relação a esse perfil que tinha que seguir, como pessoas malvestidas, negras e que aparentavam ter baixo poder aquisitivo”, afirmou a ex-funcionária.

Outras denúncias

Desde 2015, o Ministério Público de São Paulo investiga outras denúncias de discriminação na Villa Mix. De acordo com frequentadores, negros, obesos, pessoas humildes e consideradas feias eram constantemente barrados na porta.

Vejam abaixo a postagem de Taynara e as fotos dos ferimentos:


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