Casal negro é obrigado a esvaziar bolsa no Extra e PM vê procedimento como normal

Os dois, que carregavam Bíblia e itens pessoais na bolsa, ainda foram obrigados a fornecer identidade para a PM checar antecedentes

Ganhou repercussão nas redes sociais no sábado (31) um caso de racismo que aconteceu em 26 de setembro contra a trabalhadora autônoma Letícia Reis Oliveira de Carvalho e o cozinheiro Edgar Coutinho Oliveira de Carvalho. O casal foi obrigado a esvaziar suas bolsas ao sair do supermercado Extra de Campo Belo, Zona Sul da cidade de São Paulo, e a situação ainda foi tratada como normal pela Polícia Militar, que checou os antecedentes dos dois sem nenhuma motivação.

Segundo Letícia, assim que eles terminaram de passar as compras, a caixa disse que teria que “verificar” a bolsa dela. “A caixa disse que era procedimento do Extra. Eu disse que ela era mentirosa, porque frequento o mercado há dez anos e nunca ninguém pediu para revistar minha bolsa”, relatou a mulher ao jornalista Arthur Stabile, do Ponte Jornalismo.

O casal, então, decidiu chamar a polícia e disse que só faria isso na presença dos oficiais. O agente que foi ao local, no entanto, legitimou a situação, dizendo que “não é um caso fora do normal”. “Quando o PM chegou, nos tratou como se fôssemos criminosos. Disse que isso era normal, que não tinha nada de mais, por que eu não deixei a bolsa no carro ou em casa”, contou Letícia.

Além deles revirarem as bolsas e provarem que não carregavam nada, o policial pegou a identidade dos dois e verificou no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) se havia algum registro contra eles. Nenhum funcionário do mercado passou pelo mesmo procedimento. Ela conta que já sofreu outros episódios de racismo no mesmo mercado.

Um Boletim de ocorrência foi registrado na data, mas o casal só foi ouvido há cerca de 10 dias. O Extra afirmou que a funcionária foi demitida.

Confira a reportagem completa do caso, no Ponte Jornalismo.

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Lucas Rocha

Jornalista da Sucursal do Rio de Janeiro da Fórum.