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19 de junho de 2018, 16h19

Depois de palestrar em NY, faxineira brasileira é alvo de racismo nas redes

Alline Parreira, a brasileira que foi beneficiária do Bolsa Família e que atualmente dá palestras nos Estados Unidos, vem sendo alvo de comentários racistas em um grupo de brasileiros em Nova Iorque. À Fórum, a jovem ativista respondeu aos racistas e reafirmou sua identidade enquanto mulher negra

Foto: Divulgação

Alline Parreira, a jovem ativista negra brasileira que deu uma palestra para doutores da CUNY Unverstity de Nova Iorque (EUA) na última sexta-feira (15), vem sendo alvo de racismo em comentários nas redes sociais.

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Aos seus 27 anos, a jovem, que trabalha fazendo faxina nos Estados Unidos para se sustentar, se tornou ativista social e sobreviveu muito por conta de programas sociais dos governos do PT. Ela foi beneficiada com programa Bolsa Família, com cursos de qualificação e ainda contou com uma bolsa durante o governo Dilma para viajar sozinha ao continente africano.  Em sua palestra, Alline contou sobre suas origens pobres, sua trajetória de vida e tratou de assuntos como racismo, preconceito, classe e gênero.

O espaço que Alline, com seu ativismo, vem ocupando, no entanto, parece estar incomodando a alguns brasileiros que vivem nos Estados Unidos, que destilaram comentários racistas na postagem de divulgação de sua palestra no grupo de Facebook “Brasileiros em New York (NY)”.

“Vai varrer o chão e criar piolhos naquele balaio que ela tem na cabeça”, escreveu um internauta, que foi acompanhado de outros comentários tão ofensivos ou racistas quanto. “Cara de jumenta”, postou outro. A maioria dos comentários racistas estavam ligados à aparência ou ao estilo de cabelo black power que a jovem usa.

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À Fórum, Alline rebateu os xingamentos e reafirmou sua identidade enquanto mulher negra: “Tenho claro que a principal ferramenta para superar o racismo é o empoderamento, que ocorre a partir da resistência negra, reconhecimento de suas histórias, memórias, raízes e identidade. O meu cabelo não é balaio, ele é minha identidade, minha ancestralidade, ele cresce para cima porque tem raízes e ele vai crescer para onde ele quiser”, pontuou.

“Um dos motivos que possibilitam o racismo é o desconhecimento da história outro. É a falta de conhecimento da história africana que ajuda preconceituosos a disseminar ódio”, completou Alline.

A jovem contou à reportagem, ainda, que os ataques não se limitaram a ela, mas também aos programas sociais dos governos Lula e Dilma. Alline ponderou, contudo, que os comentários racistas  geraram uma reação inversa, com inúmeras pessoas a mandando mensagens de apoio. Em sua página do Facebook, ela divulgou uma nota de repúdio.

“O racismo é causa de violência, exclusão, discriminação, além do extermínio da juventude negra. As mulheres negras sofrem duplamente o preconceito causador do ódio da burguesia contra as que ocupam posições de ativista, como é o meu caso”, escreveu.

Confira a íntegra.


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