Detentor dos direitos da foto original, IMS tenta derrubar montagem de Léo Índio com Bolsonaro

Sobrinho de Bolsonaro debochou da repressão dos anos de chumbo ao colocar uma foto de Bolsonaro no lugar de um policial agredindo um estudante; Instituto Moreira Salles divulgou nota de repúdio

O Instituto Moreira Salles (IMS), através de suas redes sociais, divulgou nesta quarta-feira (30) uma nota de repúdio à montagem feita pelo bolsonarista Léo Índio, assessor parlamentar e sobrinho do presidente Jair Bolsonaro.

Em tom de deboche, Índio postou em seu Instagram, na terça-feira (29), uma montagem na qual o presidente Jair Bolsonaro é retratado como um agente policial da Ditadura Militar. O sobrinho do mandatário utilizou uma das fotos símbolo da repressão durante o regime ditatorial, e agregou uma foto do seu tio durante o amistoso beneficente que ele disputou nesta segunda-feira (28), em Santos, fazendo parecer que ele agride um manifestante e o faz cair no chão.

A foto original manipulada por Léo Índio foi feita pelo fotógrafo Evandro Teixeira, e foi tirada em 1968, durante uma manifestação contra a Ditadura Militar, ocorrida na Cinelândia, no Rio de Janeiro. O Instituto Moreira Salles, por sua vez, é titular dos direitos patrimoniais de autor da obra.

“O IMS informa que está tomando as providências necessárias para que a imagem produzida a partir da obra, deturpada em seu sentido e intenção originais, seja imediatamente retirada das plataformas e meios digitais em que está sendo divulgada”, diz um trecho da nota divulgada pelo Instituto.

“A foto de Evandro Teixeira, que na época trabalhava no Jornal do Brasil, mostra um estudante sendo perseguido por policiais na Cinelândia, no Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1968, em ato contra a ditadura militar. Nesse dia, que depois ficou conhecido como ‘sexta-feira sangrenta’, a repressão da polícia militar levou à morte 28 pessoas. Evandro Teixeira é um dos mais renomados fotojornalistas do Brasil e sua obra completa, de mais de 150 mil imagens, integra hoje o acervo do Instituto Moreira Salles. A preservação de seu legado como artista e fotógrafo é nosso dever absoluto, seja em relação à integridade de seu trabalho autoral como também ao significado histórico e cultural de sua obra para o país”, completa o IMS.

A montagem feita por Léo Índio foi publicada no mesmo dia em que Bolsonaro debochou dos torturados durante a Ditadura Militar, especialmente a ex-presidenta Dilma Rousseff, dizendo “traz o raio-x para a gente ver o calo ósseo”.

Confira, abaixo, a íntegra da nota do IMS sobre o assunto.

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Ivan Longo

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