O que o brasileiro pensa?
30 de maio de 2020, 14h57

Dilma diz que no Brasil e nos EUA, negros são sufocados pela violência

“A violência contra os negros, cometida por polícias fascistizadas, é autorizada por governantes autoritários e preconceituosos, como Trump e Bolsonaro”, destaca a ex-presidenta

A ex-presidenta Dilma Rousseff - Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Dilma Rousseff (PT) divulgou, neste sábado (30), uma nota, em seu site, intitulada “No Brasil e nos EUA, negros são sufocados pela violência”. No texto, ela afirma que “a violência contra os negros, cometida por polícias fascistizadas, é autorizada por governantes autoritários e preconceituosos, como Trump e Bolsonaro”.

A ex-presidenta se refere ao brutal assassinato do cidadão norte-americano, George Floyd, que morreu asfixiado por um policial no estado de Minnesota. Aqui no Brasil, Jair Bolsonaro bebeu um copo de leite durante uma live (movimentos neonazistas adotam o copo de leite como símbolo, o que causou indignação nas redes sociais.

Acompanhe a íntegra da nota:

O que têm em comum o acontecido com o americano George Floyd e com as crianças brasileiras Kauan Rozário, Aghata Félix, Kauê Ribeiro e João Pedro Pinto? Os cinco eram negros, pobres, socialmente excluídos e foram assassinados este ano em ações policiais. O primeiro vivia em Minneapolis, os demais moravam em bairros pobres do Rio de Janeiro, e todos foram vítimas do racismo estrutural e da herança escravista que cobrem com uma mancha de violência e infâmia a vida cotidiana destes dois países.

Apesar das diferenças históricas, o racismo naturalizado nas relações sociais do Brasil e tolerado nos Estados Unidos sustenta a desigualdade, a injustiça e a violência, que tornam a vida dos negros um risco permanente.

No Brasil, nove em dez mortos pela polícia são negros, e metade deles é jovem. No ano passado, o número de negros mortos pela polícia no Brasil aumentou 29% (49% quando incluídos os pardos), enquanto o número de brancos assassinados em ações policiais diminuiu 13,6%. Os negros também têm suas vidas abreviadas pela exclusão do trabalho formal, pela fome, pela miséria e, neste momento, aqui e nos EUA, pela epidemia, que atinge mais brutalmente as comunidades pobres em que vivem.

O povo americano está nas ruas protestando contra o assassinato de George Floyd e, apesar das ameaças de recrudescimento da violência de estado por parte de Trump, multidões de todas as etnias gritam que sem justiça não haverá paz.

A violência contra os negros, cometida por polícias fascistizadas, é autorizada por governantes autoritários e preconceituosos, como Trump e Bolsonaro, ou defensores da formação de milícias paramilitares, como o presidente brasileiro, e por governadores que, como o do Rio, assumiram anunciando tiros de fuzil na cabeça de suspeitos.

Também no Brasil, os negros, sobretudo os jovens negros, sabem que aqui “não conseguirão respirar” enquanto a violência do racismo não for denunciada, barrada e integralmente superada.


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