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09 de abril de 2019, 18h49

Em tom de ameaça, moradores da Mooca divulgam endereço do padre Julio Lancellotti

O religioso, referência na defesa dos direitos da população de rua, denuncia nova tentativa de intimidação de moradores da Mooca, que têm postado em uma página do Facebook seu endereço e fotos de sua casa; "Ódio à população de rua e qualquer gesto em defesa dos pobres"

Reprodução/Facebook

O padre Julio Lancelloti vem sendo alvo, nos últimos dias, de novas ameaças por parte de moradores da região da Mooca, na Zona Leste de São Paulo. Com uma longa trajetória como referência na defesa dos direitos da população de rua da cidade de São Paulo, o religioso constantemente é intimidado e já chegou até mesmo a ser ameaçado de morte por sua atuação junto aos mais pobres.

Desta vez, as ameças têm sido feitas na página do Facebook “Portal da Mooca”. Em inúmeras publicações, pessoas tem postado, nos comentários, o endereço de Lancelotti e fotos de sua residência.

“Estão postando fotos e endereço da minha residência com clara incitação à violência. Foram fotografar a minha casa, em ameaça, por ódio à população de rua e qualquer gesto em defesa dos pobres!”, denunciou em seu perfil da rede sociail, com prints das postagens intimidatórias.

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À Fórum, o padre contou que as novas ameaças são motivadas por um evento que acontecerá no bairro no próximo domingo (14). Pela manhã, Lancellotti promoverá uma procissão junto às pessoas em situação de rua e celebrará uma missa em homenagem aos ex-moradores da Favela do Cimento, comunidade da região que passaria por reintegração de posse e que foi incendiada no dia 23 de março. Depois da celebração religiosa, participará ainda do plantio de uma árvore no lugar onde antes estava instalada a favela.

“Diante de tanto sofrimento causado por órgãos públicos aos mais pobres, e das ameaças direcionadas ao Padre Julio e às diversas entidades, lutadoras e lutadores que militam ao lado da população de rua, comunidades e ocupações, chamamos todas e todos para os atos que aconteceram na manhã do dia 14/04”, diz a descrição do evento.

O religioso informou à reportagem que, contra as ameaças, já alertou entidades de proteção os defensores dos Direitos Humanos e que pretende, ainda, acionar o Ministério Público.

 

 


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