Fórum Educação
30 de abril de 2020, 15h27

Fiscal do Ibama que aparece em ação contra garimpeiros no Fantástico é exonerado

A reportagem teria desagradado aliados do governo Bolsonaro e feito Salles promover mudanças no Ibama

Reprodução/TV Globo

O governo do presidente Jair Bolsonaro publicou no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (30) a exoneração de dois coordenadores de fiscalização ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Na mesma edição do DOU aparecem as demissões de Hugo Loss, coordenador de operações de fiscalização do Ibama, e de Renê Luiz de Oliveira, coordenador-geral de fiscalização ambiental. As exonerações foram publicadas após a chegada do novo Diretor de Proteção Ambiental, Olímpio Ferreira Magalhães, coronel da PM.

Loss havia participado de reportagem do Fantástico exibida no dia 12 de abril que mostrava a atuação de garimpeiros em terras indígenas no Sul do Pará.

Segundo Daniele Bragança, do portal ((o))eco, a reportagem mostrava uma ação dos fiscais que é desaprovada por apoiadores do governo: a queima do maquinário usado pelos garimpeiros para promover crime ambiental. Com as mudanças nos postos, o ministro Ricardo Salles pretende acabar com a prática.

Bragança ainda destaca que 16 servidores do Ibama enviaram carta ao presidente da entidade, Eduardo Bim, pedindo a manutenção dos coordenadores. A nota, enviada no dia 21 abril, parece ter sido ignorada.

“Após resultados expressivos na Amazônia Legal e nos demais temas da fiscalização ambiental, entendemos que os coordenadores exercem condignamente sua atividade e conquistaram a lealdade profissional dos Agentes Ambientais Federais. Nesse contexto, estranhamos o momento das pretensas exonerações, entendendo que, se efetivadas, poderiam refletir retaliação aos servidores. Vislumbra-se, ainda, a possibilidade de dificultar ou, talvez, obstruir as investigações e as operações em curso, senão por uma ação direta, ao menos como resultado de uma mudança de gestão que implicaria em descontinuidade dos trabalhos desenvolvidos”, diz o texto.

A Associação Nacional de Servidores de Meio Ambiente (Ascema) também já havia se manifestado contra as demissões dizendo que isso podia trazer insegurança aos fiscais e ameaças às fiscalizações.


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