Gari do RJ é punido por denunciar trabalho precarizado na pandemia e recebe apoio internacional

"Se enganou quem achava que eu iria me intimidar", disse Bruno Coelho de Lima, gari do Rio de Janeiro que levou suspensão de 5 dias por denunciar falta de equipamentos básicos de segurança em meio à pandemia do coronavírus

O gari Bruno Coelho de Lima, que é vice-presidente da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) da gerência da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) do Rio de Janeiro, voltou ao trabalho no último domingo (29) após ter levado da empresa uma suspensão de 5 dias.

“Quem faz a Comlurb são os trabalhadores. Somos nós que ralamos dia a dia e é a gente que sofre na pele. Se enganou quem achava que iria me intimidar me dando uma punição. Tenho recebido enorme apoio dentro e fora da categoria. Eles dizem que eu menti quando falava da falta de EPI e sobre outras reivindicações.Vamos provar quem está mentindo. Ninguém vai calar o gari!”, escreveu o profissional de limpeza urbana em suas redes sociais, no dia da volta ao trabalho.

Lima foi suspenso por conta da divulgação de um vídeo, no dia 15 de junho, em que ele denuncia as condições precárias de trabalho em meio à pandemia do coronavírus e critica flexibilização das regras de isolamento chanceladas pela prefeitura.

“Há falta de luva, álcool gel e sabão no banheiro. Dizem que tem higienização, mas só lavam o chão. O prefeito diz que há um novo normal, mas as pessoas estão morrendo. Estamos indo para uma carnificina”, disse o gari no vídeo, em que ele denuncia também que a empresa não teria dispensado trabalhadores que têm comorbidades.

“Estamos vendo pessoas da nossa família ou colegas perdendo familiares. O trabalhador hipertenso apresenta o laudo médico e a Comlurb não atende. Quando fazemos greve há um plano de contingência, mas por que não há isso agora?”, declarou no vídeo.

Postagem em que Bruno divulga a punição da Comlurb (Reprodução/Facebook)

Na justificativa da suspensão, a Comlurb afirmou que as denúncias do gari são falsas e que tinham por objetivo “ofender superiores” e “prejudicar a imagem e honra da companhia”, ressaltando que segue todos os protocolos de segurança necessários para lidar com a pandemia do coronavírus.

Mesmo com a punição, Lima seguiu fazendo denúncias de precarização do trabalho e informou que vai contestar a suspensão na Justiça do Trabalho. Além disso, políticos, organizações e entidades, inclusive internacional, organizaram um abaixo-assinado de solidariedade ao gari.

“Nos solidarizamos a todos os companheiros perseguidos por defender seus direitos na COMLURB e exigimos da direção da companhia e da prefeitura do Rio de Janeiro, a imediata retirada da punição ARBITRÁRIA dada ao GARI Bruno da Rosa”, diz um trecho do texto de apoio a Lima.

Confia a íntegra aqui.

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Ivan Longo

Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.