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19 de dezembro de 2018, 17h28

Grafites de Marielle e Maria da Penha são alvos de ataques de vândalos no Rio

“Não vou parar meu trabalho. Eles serão refeitos nem que seja mil vezes, nem que eu durma aqui na frente igual a uma coruja”, afirmou a autora das obras, Panmela Castro

A autora Panmela Castro teme que as agressões se tornem mais violentas – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Dois grafites da vereadora Marielle Franco (PSOL) e um da ativista Maria da Penha foram alvo de ataques de vândalos no Rio de Janeiro, de acordo com informações de Vinícius Lisboa, da Agência Brasil. Internacionalmente conhecida, a grafiteira Panmela Castro é a autora dos trabalhos.

Nas obras que retratam Marielle e Maria da Penha, o vândalo cobriu seus rostos com tinta preta. Depois que o caso foi denunciado, um segundo grafite de Marielle foi atacado por um vândalo. No ataque, tinta branca e dourada foi usada para cobrir os olhos e a boca da vereadora. O painel foi pintado em novembro por Panmela, em um ato que contou com a presença da viúva de Marielle, Monica Benicio.

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Enquanto busca orientação jurídica para denunciar os ataques à polícia, a grafiteira esteve nesta quarta-feira (19) no local das pinturas para restaurar o segundo grafite atacado.

“Não vou parar meu trabalho. Eles serão refeitos nem que seja mil vezes, nem que eu durma aqui na frente igual a uma coruja”, afirmou Panmela, que teme que as agressões se tornem mais violentas. “Vi que o caso é sério depois que amanheceu o segundo pichado hoje. Senti um pouco de medo, porque não sei onde isso pode parar”.

A homenagem a Marielle tem um significado pessoal para Panmela. Em 2018, a vereadora ajudou a grafiteira a formalizar uma denúncia contra um ex-namorado que vinha atacando seus trabalhos há cerca de dez anos. “Ele não deixava eu ficar com outras grafiteiras, falava que meu grafite era ruim. Depois que terminei com ele, minha carreira disparou”.

“Marielle teve que me ajudar porque os policiais riam da minha cara. Conseguimos denunciar com base em um artigo da Lei Maria da Penha porque ele estava me perturbando. Eu queria denunciar por violência patrimonial, mas o policial não deixou”, conta ela.

Panmela já apresentou trabalhos em várias cidades do mundo, como Berlim, Toronto e Joanesburgo. Sua trajetória na arte remonta a 2008, quando criou o projeto “Grafiteiras pela Lei Maria da Penha”, que promove oficinas em escolas públicas.

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